sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ives Granda, um infeliz discriminado e acuado

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Adivinhe quem foi o desaventurado que disse isso:

“Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.”

O sujeito é esse:


(Clique na imagem para ampliar)

Ives Granda é candidato a ministro de uma possível ditadura que se instale no Brasil, depois de golpe de estado contra o governo Lula.

Aditor-Assaz-Atroz-Chefe

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"FOLHA" FAZ NOVA PROVOCAÇÃO

Celso Lungaretti (*)

Ives Gandra Martins é um advogado tributarista que ensina a grandes clientes como pagarem menos, ou nenhum, imposto de renda.

Ou seja, presta relevantes serviços à causa da desigualdade social, já que alivia os ricos das mordidas do leão, enquanto os pobres, não contando com assessoria jurídica da mesma qualidade, acabam se sujeitando a tributos injustos e até ilegais.

Houve tempo em que ele era atração exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo, eternamente alinhado com os interesses empresariais.

Agora, a Folha de S. Paulo também lhe concede espaço de articulista. E não na sua área específica, mas para falar sobre o que desconhece e não tem isenção para abordar: ditadura militar x resistência.

Seu artigo de hoje, Guerrilha e redemocratização, não passa de uma síntese da propaganda enganosa que os sites fascistas trombeteiam sobre o período de 1964/85 e, mais especificamente, sobre a terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos.

Parece que, ao lecionar Direito na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola Superior de Guerra, foi ele quem recebeu lições dos alunos... as piores possíveis.

Diz que, ao resistir ao terrorismo de estado implantado pelos golpistas de 1964, "a guerrilha apenas atrasou o processo de retorno à democracia".

Justifica as atrocidades ditatoriais com a falácia de que os verdadeiros responsáveis foram os que não se submeteram a viver debaixo das botas, pois "ódio gera ódio, e a luta armada acaba por provocar excessos de ambos os lados". É a velha piada do brutamontes se queixando de haver machucado a mão ao esmurrar a cara de um fracote...

Minimiza a contribuição dos movimentos de resistência à democratização, que, segundo ele, se deveu principalmente à atuação da OAB e de alguns parlamentares.

Aponta Hugo Chávez como eminência parda do PNDH-3 ("o programa é uma reprodução dos modelos constitucionais venezuelano, equatoriano e boliviano"), o qual estaria sendo "organizado por inspiração dos guerrilheiros pretéritos" (leia-se Paulo Vannuchi).

E insinua que a presidenciável do PT tem esqueletos no armário, pois, se forem apurados também os excessos porventura cometidos pelos resistentes, "isso não será bom para a candidata Dilma Rousseff". Se tivesse algo consistente para dizer, faria acusações concretas, ao invés de lançar indiretas para causar suspeitas, sem que fique exposto a uma ação por calúnia e difamação.

Se essa visão distorcida e tendenciosa da extrema-direita, expressa pelo Gandra Martins, tivesse a mínima relevância à luz dos valores civilizados, seria fácil refutar seu artigo de amador que invade destrambelhadamente a seara dos profissionais.

Mas, nem ele é importante como analista político, nem os artigos de Opinião da Folha são referencial para coisíssima nenhuma atualmente.

O jornal da ditabranda está sempre laçando fascistas acidentais que escrevam textos provocativos, capazes de motivar uma enxurrada de refutações. Quer dar a impressão de que ainda é um veículo polêmico, trepidante.

Não farei o seu jogo, pois tanto a Folha de S. Paulo quanto o ideário que norteou o artigo de Gandra Martins só merecem de mim o mais absoluto desprezo.

* Jornalista e escritor, mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/


Texto enviado a esta nossa Agência Assaz Atroz pelo autor, com autorização de "livre publicação".

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PressAA

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EM NOME DE DEUS

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Laerte Braga

Samuel L. Jackson em PULP FICTION, filme do diretor Quentin Tarantino (1994), cita versículos bíblicos, salmos, antes de matar “devedores” do seu chefe, um traficante de drogas, um gangster a moda norte-americana. Mas dos tempos atuais. Sem aquela arrogância e pretensão de Al Capone. A de ser um cidadão benquisto pela sociedade cristã, democrática e capitalista.

O Reino Unido, como ainda teimam em chamar a Grã Bretanha, ex-potência imperial onde o sol nunca se punha, tem dez mil soldados no Afeganistão. O mesmo número que Barack Obama pensa mandar para o Haiti em missão de “ajuda”.

Os soldados do Reino Unido receberão fuzis com miras telescópicas que terão referências bíblicas. O cara pega o fuzil, mira e antes de atirar lerá um salmo para reforçar sua convicção cristã, democrática e capitalista.

Segundo o Ministério da Defesa da Grã Bretanha, 400 visores com mensagens bíblicas foram encomendados à empresa norte-americana Trijicon. Quando mirar no adepto do Islã alvo da “ajuda” cristã, democrática e capitalista, o soldado ira encontrar na mira a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João. O versículo é o seguinte – “então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas e sim terá a luz da vida”.

Para a oposição ao governo de Gordon Brown isso reforçará o Talibã. Não vai deixar dúvidas que se trata de uma guerra santa. A diferença na boçalidade entre Saddam, por exemplo, ou Mubarak, ou qualquer governo de Israel, é só de estilo e lado, cada um tem o seu “deus”. O grande “deus” dos EUA começa a funcionar a hora que o sino da bolsa de Wall Street bate, é a catedral sendo aberta. Jorra “ajuda” pelo mundo inteiro.

A empresa norte-americana declarou que usa esse expediente há mais de vinte anos e os resultados têm sido satisfatórios.

A tecnologia da morte, o aperfeiçoamento da boçalidade em nome de Deus.

A “polícia” de Honduras, departamento norte-americano naquele país e que por lá chamam de forças armadas, quando derrubou o presidente constitucional Manuel Zelaya, recebendo ordens do comandante militar norte-americano na base de Tegucigalpa, entrou no palácio do governo para empossar o golpista Roberto Michelleti carregando um grande crucifixo.

No Brasil foi a mesma coisa em 1964. O comandante era um general quatro estrelas dos EUA, Vernon Walthers.

E todos receberam a comunhão das mãos do cardeal do país. Continuam matando opositores, torturando presos por crime de opinião, estuprando mulheres em aldeias, vilas e cidades pequenas, tudo em nome da democracia, do cristianismo e do capitalismo.

A propriedade privada.

João XXIII, um dos últimos papas (João Paulo II foi empregado de Washington, garoto da “propaganda santa”, cruel e vingativo com seus adversários, e Bento XVI é integrante decidido do IV Reich), numa de suas encíclicas, afirma que a luta armada pela garantia dos direitos básicos e fundamentais do homem é válida quando todos os outros recursos estiverem esgotados.

Por trás da afirmação existe o reconhecimento da condição básica do ser humano, do outro, da dignidade desse ser e do outro.

Guantánamo é um campo de concentração e o mundo, logo após a guerra e a ocupação do Iraque, viu em imagens que nem a grande mídia (venal) pode esconder, como eram tratados os prisioneiros nas prisões daquele país. Tratados pelos norte-americanos.

Um “louco” matou dez pessoas numa cidade do estado de Virgínia, terça ou quarta-feira desta semana. Isso é corriqueiro nos EUA. Alerta divino, via de regra todos por lá recebem, por isso Edir, o Macedo, conseguiu ser incorporado.

Os Estados Unidos são uma sociedade doente e exportam essa doença para o resto o mundo na ponta de suas baionetas (que nem usam mais). Agora manda miras telescópicas com salmos bíblicos.

Quando vejo jornalistas como Lúcia Hipólito ou Miriam Leitão tentando explicar porque é preciso aceitar o poderio dos EUA para que os haitianos sejam ajudados, não tenho a menor dúvida que a honra foi deixada do lado de fora. Ou como diz um amigo cínico, “coisa do tipo você me ajuda e aí pode fazer o que quiser”.

Bêbada, Lúcia Hipólito não conseguiu articular coisa alguma. Se a bebida destrava a língua de uns, trava a consciência de outros. Pode ser. Deve ser.

Sexta-feira, na cidade de São Paulo, as vacas da Cow Parade vão para as ruas homenagear os 456 anos da capital. Isso deve ser em honra ao governador José Collor Serra que em 2002 afirmou que estava vendo uma vaca pela primeira vez, ao vivo, já com mais de cinqüenta, quase sessenta.

Uma das “vacas” é de fibra de vidro e interage com celulares e as chamadas redes sociais.

Cerca de 57% da população de São Paulo, se pudesse, sairia da cidade. É o resultado de uma pesquisa divulgada no início dessa semana. E ainda querem, o esquema FIESP/DASLU, impor esse modelo ao Brasil via tucanos e DEMocratas.



Contam com as bênçãos do “deus” GLOBO e do profeta William Bonner, sua corte de Alexandres Garcias, a água é espargida pela sacerdotisa Xuxa e o culto começa à hora que se inicia o BBB.

Quem quiser pode comprar no sistema de tevê fechado e ficar o dia inteiro adorando os bezerros e bezerras confinados no “templo” em nome do cristianismo, da democracia e do capitalismo.

E durma tranqüilo, Barack Obama vela por todos nós. Se necessário for, manda “ajuda” em tempo recorde. E depois é só relaxar.

Breve nos intervalos comerciais do JORNAL NACIONAL, das novelas e do BBB, mensagens bíblicas para o gáudio e satisfação do Homer Simpson.

Pastor William Bonner, tem diferença nenhuma do outro, o Edir, falo do Macedo.

Nem do cara que matou dez em Virgínia, ou da empresa que produz miras telescópicas com mensagens bíblicas. Pode se matar de várias formas.

São doenças cristãs, ocidentais, democráticas e que garantem a propriedade privada. O resto é resto. Vieram do império. Vírus que nem o da gripe suína, mas muito pior. Deixa a turma apatetada, discando o celular para falar com o BBB ou com a vaca interativa.

Laerte Braga, jornalista, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E AGORA? OBAMA ENQUADROU O BRASIL

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DEZ MIL SOLDADOS PARA O HAITI

Laerte Braga

E como se não bastasse o controle temporário do aeroporto da capital, Porto Príncipe, os vários galpões, acampamentos, escolas, igrejas passíveis e possíveis de serem usados como depósito de alimentos, água, remédios, nos pontos atingidos pelo terremoto, ou em setores estratégicos para cobrir toda a área alcançada pela tragédia, estão cheios. O mundo inteiro mandou doações.

O governo de Cuba liberou o seu espaço aéreo para encurtar a distância, permitir que os vôos de socorro cheguem mais rápidos, mas e daí?

Não começou a distribuição regular de alimentos, de remédios, de água, o país continua um caos absoluto e o presidente da Cervejaria Casa Branca vai enviar dez mil soldados ao Haiti.

Para quê?

É guerra?

O que fazem os militares brasileiros lá? Acreditaram, eles e Lula, até agora que eram os comandantes de fato da ocupação do Haiti e dos chamados projetos de reconstrução de um dos países mais pobres do mundo?

Foram enquadrados, os comandantes são os norte-americanos com o uniforme da ONU. É barato, transferem custos, dividem custos e mantêm o controle do país segundo seus interesses e conveniências.

O Haiti já teria sido “reconstruído” se essa fosse a intenção dos EUA. Todo o aparato de socorro às vítimas do terremoto já estaria em pleno funcionamento se essa fosse a vontade dos norte-americanos. Não é. Não prestaram socorro adequado e possível às vítimas do furacão Katrina que destruiu New Orleans. É só olhar os jornais da época e ler as críticas ao então presidente Bush. A demora em tomar providências só aconteceram debaixo de forte pressão popular e depois que o presidente da Venezuela Hugo Chávez mandou vender gasolina mais barata na área atingida pelo furacão e o neto de John Kennedy disse publicamente que o seu governo, Bush, deveria agradecer a atitude de Chávez.

Notícia que William Bonner aqui, subalterno, disse que não daria para “não contrariar nossos amigos americanos”.

O xis da questão para o governo branco de Obama não é a existência de 200 mil, ou um milhão de vitimas. São negros, tanto no Haiti como eram a maioria em New Orleans e os Estados Unidos são movidos a interesses políticos e econômicos, não têm a menor preocupação com algo que vá além da população branca e racista, ideologia implícita ao capitalismo.

Quem acreditou no conto do vigário que Obama é negro, acredita que fada Sininho vá aparecer por lá com Peter Pan e Wendy e salvar os haitianos da miséria, da destruição, levando-os para a Terra da Fantasia.

Obama é tão terrorista quanto Bush. O que varia é o estilo.

Mas e aí? Os militares brasileiros, tão pressurosos de sua integridade na questão da tortura, da barbárie nos porões da ditadura militar vão engolir esse chega pra lá dos norte-americanos? O “patriotismo” e o “nacionalismo” dessa gente entram onde?

Não existe. São força auxiliar do império. São comandados de fora. Na prática a tal fusão de forças armadas que Clinton propôs a FHC, e FHC disse que era para “esperar um pouco”, é a realidade, como é a realidade desde o golpe de 1964. O general Vernon Walthers era o comandante militar; e o embaixador Lincoln Gordon, o comandante civil.

Dez mil soldados no Haiti, o que Obama pensa que aconteceu por lá? Uma jornalista da tevê BANDEIRANTES, dessas que acham que além dos tucanos não existe nada, está no tempo em que achavam que a Terra fosse plana, manifestou espanto pela atitude do governo de Cuba de liberar o espaço aéreo. E ainda falam em exigir diploma.

O que há por trás dessa sórdida e traiçoeira manobra dos EUA, danem-se os haitianos, afinal são haitianos, não integram nenhuma raça superior, a deles e os de Israel, é exatamente isso. Não importa o número de vítimas, importa manter o país sob o controle de Washington, seja através de elites submissas (como as nossas), seja através das tais forças da ONU que o Brasil vivia dizendo que tinha o comando, por onda o tal general Heleno comandante em chefe das forças da VALE?

Andou por lá e bebeu toda a ideologia do império, que veio despejar por aqui falando em “patriotismo” e “nacionalismo”. Só que a bandeira é outra.

E Lula? Que no afã de não criar problemas no início do seu governo, acreditou que Bush era vacinado e se deixou morder?

Voltar com o rabo entre as pernas, já está, aliás?

Morreram catorze militares brasileiros lá, e aí? Catorze cidadãos brasileiros iludidos na tal história de cumprir o dever da pátria amada.

O ex-presidente do Haiti, deposto por Bush, Jean Bertrand Aristides, exilado na África do Sul, disse que pretendia voltar ao país. Sabe quem definiu o assunto? Obama via Hilary Clinton. A veneranda senhora disse que “esse é um problema do Haiti, mas Aristides não deve voltar”.



Pronto.

Manda quem pode e obedece quem tem juízo. É a lógica das elites haitianas (brasileiras também), é a capitulação do tal “patriotismo acendrado” dos militares brasileiros.

Já na hora de resguardar a turma da barbárie, da boçalidade, da tortura, aí a valentia é impar. Aí a coragem é única. Os torturados e assassinados pela ditadura estavam presos e indefesos.

Qualquer dia Obama manda dez mil soldados aqui para o Brasil. Manda para São Paulo para ajudar o governador e funcionário norte-americano José Collor Serra e mostrar a Lula o que ele de fato quis dizer com esse negócio de “ele é o cara”.

O Brasil tem o dever de ajudar o Haiti. Os haitianos. Mas muito mais que isso, tem o dever de participar do processo de luta dos latinos americanos contra o terrorismo da Cervejaria Casa Branca.

Terminada essa etapa crucial, se restar dignidade a essa gente, deve fazer as malas e compreender que não foram nada além de instrumento do império.

Os dez mil norte-americanos vão para lá com o tarefa de assentar o porrete se a coisa sair do controle.

É a “democracia” sem máscara do terrorismo capitalista.

E esse monte de terra aqui é BRASIL ou é BRAZIL?


Laerte Braga, jornalista, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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domingo, 10 de janeiro de 2010

Julgamento dos sete líderes Bahá'ís presos ilegalmente no Irã

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Sete líderes bahá'ís e ex-membros do Yarán (grupo de representação bahá'í banido pelo governo iraniano) - Sra. Fariba Kamalabadi; Sr. Jamaloddin Khanjani; Sr. Afif Naeimi; Sr. Saeid Rezaie; Sr. Behrouz Tavakkoli; Sr. Vahid Tizfahm e Sra. Mahvash Sabet foram presos ilegalmente durante os meses de março e maio de 2008 em Teerã e Mashad e deverão ser julgados na próxima terça-feira, 12 de janeiro, após três postergações. Eles estão sendo acusados de “disseminação da corrupção na terra”, punível com a pena de morte.

A Comunidade Bahá'í do Brasil está extremamente preocupada a respeito do resultado final do julgamento e denuncia a perseguição do bahá'ís pelo governo iraniano. “O Irã precisa saber que o mundo está acompanhando o julgamento das sete lideranças bahá'ís, e espera que este seja realizado de forma aberta e de acordo com o procedimento legal internacionalmente reconhecido. O Brasil, como todos os outros países, conhece os bahá'ís e sabe que as acusações não se fundamentam”, afirma Iradj Eghrari, o representante Comunidade Bahá'í do Brasil.

O governo iraniano culpa os bahá'ís pelas manifestações durante o feriado religioso da Ashura e as revoltas civis após as eleições presidenciais em 2009. “Ao longo dos últimos dias, a mídia iraniana patrocinada pelo Estado, têm acusado os bahá'ís de serem responsáveis pela agitação em torno do dia sagrado da Ashura”, afirmou Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as Nações Unidas em Genebra. Dentre esses veículos da mídia estão a Agência Noticiosa de Fars, o Jornal Javan, a Agência Noticiosa da República Islâmica (IRNA), e a Agência Noticiosa dos Estudantes Iranianos (ISNA). As acusações são um fator alarmante, uma vez que os bahá'ís não se envolvem em manifestações político-partidárias. No último domingo mais 13 bahá'ís foram presos em suas casas em Teerã e levados para um centro de detenção.

Os sete líderes são ex-membros do Yarán (“Amigos do Irã”, em Persa), uma unidade informal que representava os mais de 300 mil bahá'ís no país (uma vez que a religião não é formalmente reconhecida pelo governo). Desde que a religião surgiu na antiga Pérsia, atual Irã, os bahá'ís sofreram diversas perseguições, intensificadas após a revolução islâmica em 1979 e agora, com as manifestações civis.

Em 18 de dezembro do ano passado, a Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução que condenou o Irã por uma longa lista de violações aos direitos humanos, incluindo uma extensa menção da perseguição aos bahá'ís. O documento demonstra preocupação com os ataques feitos pela mídia estatal aos seguidores e sua Fé; o aumento dos esforços por parte do Estado para identificar, monitorar e prender arbitrariamente os bahá'ís; e o impedimento de acesso ao ensino superior, dificultando o sustento econômico.

Comunidade Bahá'í no Brasil

No Brasil a Comunidade Bahá'í é formada por cerca de 65 mil pessoas, predominantemente brasileiros que conheceram a Fé por meio de bahá'ís que aqui chegaram fugindo da perseguição iraniana. Eles estão em todos os estados e capitais, desenvolvendo atividades sócio-econômicas baseados em princípios como igualdade de gênero, acesso universal à educação, redução entre os extremos de pobreza e riqueza e a unidade entre os povos por meio da educação não formal e autônoma.

Luana Reis
Jornalista
Ações com a Sociedade e o Governo
Comunidade Bahá'í do Brasil
Tel.: +55 (61) 3364 3594 / 9977 7446
http://secext.bahai.org.br/

http://port.pravda.ru/mundo/10-01-2010/28655-bahaiirao-0

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sábado, 9 de janeiro de 2010

Casoy não assistiu a essa palestra, nem assistiria nunca, do alto de sua arrogância

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Gari do Rio ensina motivação para executivos [em 2003]

"O segredo para se dar bem na carreira é o respeito ao próximo," (...) "Uma dica para os executivos: 'Esquecer o preconceito e a discriminação'" - Renato Lourenço, de 39 anos, conhecido como Sorriso, gari carioca.

São Paulo - A culpa foi do samba. O gari carioca Renato Lourenço, de 39 anos, conhecido como Sorriso, virou exemplo de motivação no trabalho. De segunda a sábado, varre ruas na Tijuca, das 6 horas da manhã até uma da tarde.

Depois das sete horas de trabalho, tem agenda tumultuada. Dá palestras sobre os cuidados com o lixo nas ruas, o segredo da alegria e o sucesso na profissão.

Já atuou como figurante em comerciais de TV. Recebe cachês irrisórios, mas diz não se importar, até porque as aparições lhe têm valido inúmeras conquistas.

Samba no intervalo

A fama começou com uma pequena transgressão. Ele varria a Praça da Apoteose no Sambódromo do Rio, no carnaval de 1997. Era intervalo de apresentação de escolas. Desafiado pelos colegas a mostrar que era bom de samba e corajoso, agarrou-se à vassoura. Sambou, pulou, imitou passos de mestre sala.

Foi repreendido. "Meu chefe me deu bronca e mandou parar. A platéia inteira vaiou", lembra. "Quando ele viu aquele monte de gente ao meu favor, então, aprovou a minha dança".

Sorriso sambou e saltou ainda mais. Os fotógrafos clicaram as piruetas do gari, aos pulos, com pés bem longe do chão. Dias depois, lá estava ele, foto estampada em vários jornais.

Portas se abrindo

Desde então, sua vida mudou. Fez ponta em comerciais da C&A, deu entrevista nos programas de Jô Soares e de Astrid Fontenelle. "As portas estão se abrindo". Seu feito mais famoso foi o encontro com a mãe do presidente dos Estados Unidos, quando veio ao Rio.

"Dei até um beijo na Barbara Bush. Chamei a atenção dela, cheguei perto e...

Na quarta-feira, o gari subiu ao grande auditório do Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, para dar uma palestra de 15 minutos a presidentes de empresas, gerentes e diretores de recursos humanos, durante a 29.ª edição do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Conarh).

Roupa de gari

Fez questão de usar sua roupa de gari. "O segredo para se dar bem na carreira é o respeito ao próximo," disse, no palco. À vontade com o microfone, recebeu aplausos da platéia.

Ele foi um dos "anônimos notáveis" convidados pelos organizadores do Conarh, para a mesma sessão na qual estava o dançarino Carlinhos de Jesus, com quem veio no avião, a jogadora de basquete Magic Paula e o ator Raul Gazolla. Todos para falar da carreira.

Gargalhadas

Sorriso faz jus ao nome. Cita Deus várias vezes, dá gargalhadas de suas complicações e puxa conversa, como se conhecesse quem acabou de ver há muitos anos.

Hiperativo, enquanto conta uma história sai correndo para buscar o celular. "Sabe como é, pode surgir algum evento de última hora", desculpa-se.

Atento, pergunta se as frases que diz estão bonitas e demonstra prazer em deixar encabulada a esposa, Fátima Maria da Conceição, tímida e mais reservada.

Rotina

Mesmo com o sucesso, o gari Lourenço, acorda às 4h15 da madrugada. Enfrenta duas horas dentro de dois ônibus até chegar ao trabalho. No caminho, dá autógrafos. Às terças e quintas, vai à escola, fazer o telecurso para terminar o ginasial.

Graças à fama, ganhou uma bolsa de estudos de aula de dança na Escola Jimme, onde vai todas as noites, das 18h00 às 22h00. Seu sonho é viver da dança. "Durmo umas três horas por noite, mas estou satisfeito. Comigo não tem tempo ruim."

Frases de efeito

Ele gosta de frases de efeito. "Sou gari e levanto a mão para o céu. A fama é como uma vela em frente ao ventilador. Se você ligar o ventilador, ela pode se apagar".

Uma dica para os executivos: "Esquecer o preconceito e a discriminação". "Você tem de ir trabalhar todos os dias pensando que, não importa o cargo, todos somos iguais. Veja só, eu já desfilei na passarela do São Paulo Fashion Week no mesmo dia do Paulo Zulu", lembra.

E completa: "Será que dá para mandar um abraço para os meus colegas de trabalho?"

http://www.curriex.com.br/centro_carreira/ver_noticia.asp?codigo=830

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O Sentido Político do Caso Battisti

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Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional (USA)

Entre os que apóiam a liberdade de Battisti e os que promovem seu linchamento, há um grande grupo que duvida. A diferença entre linchadores e indecisos aparece quando se fala no modo de punição. Pessoas desorientadas, porém sensíveis, sentem horror de que alguém possa estar preso a vida toda num sistema que o levará à loucura ou a suicídio.

Entretanto, os que não têm oportunidade nem tempo para acompanhar os detalhes, acham difícil acreditar que um país europeu lance uma acusação sem fundamento. Alguns, nem conseguem admitir que a Suprema Corte de nosso país possa estar complicada num assunto ilegítimo.

Em alguns setores, a indignação italiana tem produzido o efeito oposto. Muitos se assustaram quando ouviram as ameaças de crises diplomáticas, retaliações econômicas e desportivas e até de guerra (como as proferidas pelo exaltado Franco Maccari, secretário geral do sindicato de policiais COISP). Tudo isso por um crime comum? Não são poucos os que perceberam que ninguém faria um escândalo tão ridículo, cheio de pieguice e xingamentos chulos, se tivesse argumentos bons.

Quero enfatizar, para os que duvidam sobre a inocência de Battisti, o caráter POLÍTICO do seu julgamento. Não descarto a existência adicional de outro tipo de interesses, como rancores e vaidades coletivas, catástrofes de psicologia social como sede de sangue, sentimento imperialista frustrado e patologias sociais das mais variadas, mas o aspecto político é fundamental.

Há um indício que mostra claramente o objetivo político desta farsa: nunca nenhum setor da direita se preocupou em tentar refutar ou desmentir as afirmações de que não existem provas contra Battisti.

Isto é muito importante, e se vocês revisam os comentários dos jornais, revistas e TV deste último ano, poderão ver que quase nenhum “linchador” se dá ao trabalho de polemizar contra os que afirmamos a falta total de provas e testemunhos. Eles se limitam a ironizar, acusar de cumplicidade, e montar um circo romano contra os que ofendem as instituições italianas. Nem mesmo mencionam duas ou três “provas” (reais ou não) para, pelo menos, simular que acreditam que Battisti é culpado. Vejamos alguns casos desta ostentação de desinteresse.

(1) No relatório do STF, seu autor descreve os quatro assessinatos na forma grotesca de um filme policial de péssima qualidade. Aí, Battisti é descrito como um insano sanguinário, que se disfarça com barba, peruca, jaqueta de camurça, sapatos de salto e mata pelas costas enquanto namora. Mas o relator não se importa em convencer, pois nem toma o cuidado básico de eliminar contradições óbvias: armas, número de tiros, cor de cabelos, e até os atores dos crimes, aparecem de maneira incompatível em diversos trechos do relatório.

(2) No Senado, Eduardo Suplicy analisou com enorme paciência e energia, não uma, mas pelo menos cinco vezes, todas as matérias que Fred Vargas e eu publicamos (em separado) sobre a falta de base das acusações contra Cesare. Seus colegas do PSDB e, sobretudo, do DEM ou ignoravam, ou riam, ou liam, mas nunca refutavam nada. Os que com mais sanha acusam a Battisti de “assassino”, nunca se levantaram e disseram: “Não é assim como você fala. Têm testemunhas, sim, que são Luigi, Pietro, Gianni, etc... ”. Eles poderiam, pelo menos, fingir que acreditam na culpa do refugiado, decorando alguns nomes que aparecem nos documentos jurídicos italianos.

(3) Itália negou à defesa a entrega dos autos onde haveria pretensas “perícias”. A negativa é natural, pois essas perícias devem ser pura fantasia. Quando os amigos de Battisti exigiram do STF que pedissem essas provas a Itália, porque não poderia negá-las a um poder público, Peluso disse que o Tribunal não as precisava.

(4) Quando Fred Vargas leu suas 13 perguntas, e pediu ao relator que conseguisse os documentos e dados que ele tinha sonegado ou distorcido em seu relatório, este respondeu que não era assunto do Brasil o julgamento italiano.

(5) Os jornalistas mais famosos nunca tocam no assunto. Quando, raramente, respondem uma pergunta de um leitor questionador, ficam furiosos: “é um assassino, foi dito pelos italianos, os franceses e agora pelo STF, e ainda você duvida!”. Também, advogados da polícia e dos militares, e defensores de porta de cadeia oferecem as mesmas razões.

(6) Em novembro, um blog da Veja reagiu às reiteradas denúncias de Suplicy, declarando que existiam testemunhas sim, e uma era o filho de Torregiani. O blogueiro nem sabia que Alberto Torregiani, depois de mudar durante décadas, segundo as pressões da Promotoria, “estacionou” numa opinião coerente há mais de cinco anos: Battisti não estava no cenário de morte de seu pai, embora continue dizendo que ele é o assassino.

(7) Tampouco os juízes se interessam pela autoria dos crimes. Entre os inimigos fanáticos de Battisti há um ex-desembargador muito experiente em máfia italiana e colombiana. Seria a pessoa ideal para oferecer provas, ou, então, refutar nossas afirmações de que não há provas. Mas ele se limita a xingamentos políticos: repete dúzias de vezes que os revolucionários da época eram apenas bandidos, e que esquerdistas decentes são os que pedem a cabeça de Battisti.

(8) Quando o ministro Marco Aurélio mostrou que os únicos argumentos contra Cesare vinham de delatores e que os delitos eram qualificados como políticos pela própria Itália, alguns magistrados ignoraram. Na sessão seguinte, alguém disse que “não estamos julgando o mérito”. Ou seja, se Battisti matou ou não, tanto faz.

Bom, devemos fazer esta pergunta: “Se um cara foi condenado a 4 prisões perpétuas por 4 homicídios, por que não têm importância se ele foi ou não o assassino?”.

A resposta é simples: porque o objetivo da extradição brasileira e da condenação italiana é político (além dos componentes psicológicos, como “vendetta”).

Battisti, como milhões de jovens (talvez com métodos errados) ergueu-se contra a opressão das elites. Ele não é diferente de um resistente brasileiro, argentino, uruguaio ou chileno, mesmo que a Itália fosse uma democracia, nem de um “Sem Terra” ou um bolivariano.

Então, tanto a Itália como a cúpula do STF e a direita brasileira querem fazer de Battisti um exemplo para espalhar o terror de estado. “Este é um esquerdista: não importa se matou ou não. Mas, ele servirá de exemplo para que aprendam os outros”. Aliás, se Cesare é inocente dos assassinatos, será ainda melhor para os julgadores. Porque, nesse caso, eles deixam perceber ao público de que o estão punindo por sua ideologia. Punir a ideologia é a forma mais atroz do terror de estado, pois significa que nem o pensamento foge à barbárie daqueles algozes. Sem afirmá-lo de maneira direta, o que daria muito escândalo, o STF deixa uma dica muito clara: “Se você ou matou ou não matou, não estamos nem aí. Você vai a apanhar a vida inteira porque pensa e fala contra nós”.

No Brasil e na Itália as motivações são políticas, mas há algumas diferenças regionais. No Brasil, punir Battisti significa um enorme grito de atenção para todos os “subversivos”. Os que admiram presidente índios na Bolívia e no Equador, que apóiam o freio à mídia golpista na Venezuela, lutam pela terra, denunciam o trabalho escravo e os genocídios dos ruralistas, põem em evidência o aparelhamento militar do estado, todos esses são os Battistis do futuro.


Carlos Alberto Lungarzo foi professor titular da UNICAMP até aposentadoria e milita em Anistia Internacional (AI) desde há muitos anos. Fez parte de AI do México, da Argentina e do Brasil, até que esta seção foi desativada. Atualmente é membro da seção dos Estados Unidos (AIUSA). Sua nova matrícula na Organização é o número 2152711.

Texto enviado à nossa Agência Assaz Atroz pelo autor, autorizando livre publicação e difusão.

Ilustração: AISC - Atrocious International Smuggling of Cartoons

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os “Argumentos” contra Battisti

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Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional
2152711

Há uma tendência na esquerda, e entre os partidários de tendências iluministas, humanistas e libertárias em geral a identificar a qualidade ética de uma pessoa com sua inteligência, agudeza e informação. Isto parece uma adesão à antiga identidade entre o bem e a razão ou, em termos mais modernos, entre o espírito humanitário e altruísta e a capacidade de argumentação.

Esta identificação está presente nos filósofos gregos, especialmente em Platão, mas também nos hedonistas e nos epicúreos, atravessa a obra de Descartes, vira um assunto central nos cientistas pós-newtonianos, e se torna quase um dogma para a geração Iluminista do século 18. Este intelectualismo está presente nas cartas trocadas por Marx e Engels, que não ocultavam seu desprezo pelos raciocínios grosseiros das elites, pela ignorância de nobres, militares e burocratas e pela barbárie cultural da direita. Inclusive, apesar de sua injusta desconfiança do anarquismo, Marx emocionou-se até chorar ao lembrar o talento de Bakunin, durante o funeral deste em 02/09/1853. (Marx-Engels-Werke, V. 12, p. 284).

Outro fato que reafirma, pela negativa, a relação entre ética e inteligência, é que, durante o forte misticismo ocidental (sec. 4º ao 16º) quando o ser humano foi mais humilhado, ao mesmo tempo a ciência e o conhecimento crítico desapareceram até Galileu.

Entretanto, não é possível tomar a relação moral/inteligência como uma verdade absoluta. Isso criaria uma hierarquia moral das pessoas em função de suas capacidades, o que é uma visão reacionária do mundo. Lembremos, além disso, que simpatizantes do nazismo, como Max Plank e Heisenberg, foram mentes brilhantes em suas especialidade e que Enrico Fermi foi um homem muito inteligente, apesar de ter contribuído a criar a primeira bomba nuclear.

Em minha opinião, a relação precisa entre inteligência e ética é difícil de especificar e talvez precisemos muitas décadas de psicologia para conhece-la num 50%, se tanto. Entretanto, é evidente uma conexão estreita entre ambas, como o mostram os exemplos: é quase impossível encontrar um ditador inteligente, um genocida com algum talento universal, um racista com alguma compreensão do mundo, uma pessoa preconceituosa que impressione por sua racionalidade. Existem muitos casos de pessoas sem escrúpulos com grandes destrezas específicas, mas é difícil encontrar algumas dotadas de inteligência ampla.

Por que toda esta reflexão? Há um ano que, por causa da concessão de seu refúgio/asilo, Cesare Battisti virou conhecido e a opinião pública se dividiu entre os que pediam sua liberdade e os que exigiam sua deportação. Durante este ano, li o equivalente a dúzias de milhares de páginas de jornais, revistas e documentos, e fiquei estarrecido ao fazer uma comprovação:

Nenhum dos argumentos contra Battisti demonstrava a mínima racionalidade, o menor uso de pensamento ou sensibilidade. Como disse antes, não acho que uma cognição apurada implique necessariamente grande estatura moral, nem vice-versa, mas fiquei apavorado pela relação evidente entre pensamento brutal e grosseiro com ódio pelo refugiado.

Acredito, sim, que existam pessoas autocentradas, sem interesse no próximo, que possuam uma visão do mundo bastante ampla. Um destes casos era Leonardo da Vinci, considerado por seus biógrafos mais atuais como egoísta e violento.

Entretanto, as coisas mudam quando aparece um componente de ódio, uma espécie de fanatismo contra tudo o que é diferente, como o que caracteriza o machismo, o racismo, a xenofobia, o imperialismo, o linchamento e todos os sentimentos de direita em geral. Nesses casos, ou a inteligência não é suficiente para evitar a contaminação pelo ódio, ou então, a prevalência do ódio faz aparecer a inteligência como difusa, esvaída, quase inexistente.


Não quero dizer que alguém que sustenta uma posição não-humanitária possua, necessariamente, um entendimento tacanho, embora isso quase sempre acontece. Tenho uma experiência interessante sobre isso. Conheci a Ayres Britto depois de ele ter votado pela extradição, e me surpreendi ao compara-lo com os outros quatro juízes que votaram no mesmo sentido (com os que, afortunadamente, não devi conversar). Britto é um homem cordial, desprovido da empáfia jurídica, um temperamento simples: escreve poesia e gosta de Chico Buarque. Sabe conversar sobre coisas que não estão nos códigos. Aliás, ele não tinha nenhum ódio contra Battisti. Se eu entendi bem, ele achou que não havia motivos para negar a extradição, assim de simples. Se Itália o pedia, saberia por que. Não era submissão à autoridade, apenas rotina. Se alguém morria por isso, não era seu assunto.

Ele não estava contente por entregar uma vítima aos La Russa e os d’Alema da vida. Simplesmente, fez o que parecia mais linear. Afinal, a justiça formal é isso. Então, percebi que era uma pessoa inteligente que não camuflava seus pensamentos: justiça formal nada tem a ver com verdade ou humanismo; é um trabalho.

Mas, não quero referir-me aos que apenas “votariam” contra Battisti, mas aos que estão engajados na causa de triturar uma pessoa para eles desconhecida, que lês estorva por vários motivos:

(1) Porque representa a esquerda. (2) Porque desafia sem temor o terrorismo de estado. (3) Porque não se ajoelha. (4) Porque é uma mente criativa. (5) Porque têm amigos de uma qualidade que seus inimigos nunca reuniriam nem em várias reencarnações. A maior atriz européia dos anos 50, Jeanne Moreau, o Nobel de Literatura Garcia Marques, a talvez maior romancista de enredos policiais das últimas décadas, Fred Vargas, grandes advogados, líderes políticos franceses, e também os melhores amigos brasileiros: Suplicy, José Nery, Luiz Couto e outros.

Essas pessoas que odeiam Battisti não conseguem produzir um argumento bom. Foi por isso que decidi classificar os “argumentos” contra Battisti em várias espécies. Acredito, porém, que esta é uma obra para toda uma equipe e quaisquer enriquecimentos a meu trabalho (muito pretensioso para uma vida só) serão bem-vindos.


Observação: Não gosto de entrar em polêmicas. Se você defende honestamente, de maneira errada ou certa, uma causa, o pior que pode fazer é tornar sua causa um espetáculo de circo. Por isso também não gosto citar ninguém, salvo fontes de mérito que menciono como prova. Neste caso deve ser diferente, mas apenas menciono os autores para que o leitor, se quiser, possa encontrar o assunto mencionado.

A Crítica Através do Elogio


Em alguns casos, o crítico (ou crítica) acha mais confortável elogiar a alguém que ataca Battisti, do que ele próprio fazer sua argumentação. No caso de pessoas ligadas ao direito, uma maneira habitual é tecer uma série mirabolante de elogios a qualquer frase trivial que tenha dito um magistrado inimigo do escritor italiano.

É o caso, entre milhares de outros, do senhor Daniel Bialski, num trabalho intitulado Interesse em Extradição de Battisti é incomum, que me pareceu o mais paradigmático pela bizarrice e servilismo de seus elogios.

“O que se teria visto, na visão do eminente e futuro presidente da Corte Suprema, ministro Peluso, [...] que é atribuição exclusiva da Excelsa Corte.” (Grifos meus)Existem muitos outros casos que não merecem ser citados, porque não são tão grotescos, mas em todos eles se elogia cafonamente, seja o magistrado, seja a “obra da sua lavra” (ou seja, o escrito de sua autoria). Dessa maneira, se dá um tiro por elevação contra Battisti, usando munição alheia.

Este fenômeno faz parte de um fetichismo, pelo qual se transformam em reais, e até em antropomórficas, entidades que são puras abstrações conceituais. Por exemplo, se elogia a cultura italiana, como se toda Itália fosse um organismo homogêneo que atua sempre da mesma maneira, ou se atribui sacralidade a simples funções profissionais de uma pessoa, por exemplo: “o sábio julgador”.

Comparações Sinistras

Às vezes, para descompor Battisti, os autores usam comparações que são simplesmente repugnantes. É o caso de Alon Feuerwerker, em Diversos pesos, diversas medidas, cuja matéria começa assim:

“A operação política para salvar Battisti decorre de ele ter origem na esquerda. Fosse um militar argentino condenado por crimes na ditadura, estariam os mesmos exigindo, já, sua extradição para Buenos Aires.”Essa comparação não mede só o nível ético do autor, mas também o cognitivo. Alguém que compara um acusado qualquer (mesmo se fosse o pior criminal comum do mundo, mesmo se fosse o atual chefe de Al-Qaida), com genocidas patológicos e torturadores insanos do exército argentino, demonstra pouca fineza cognitiva. A maioria dos que concedem algum valor aos genocidas argentinos, chilenos ou brasileiros (ao ponto de comparar-los com outras pessoas), costumam ter a esperteza de ocultar suas intenções.

Uma pessoa melhor dotada teria dito: “fosse um fascista...” Aliás, estaria perto da realidade, porque há um fascista italiano que seu governo “simula” querer extraditar. Aliás, para dar palpite num assunto que parece ser sobre direito, o autor conhece pouco: parece que não sabe que “crimes de lesa humanidade” são uma espécie diferente dos políticos e dos comuns.

A posição dos defensores de DH é que, se o fascista não cometeu crimes contra humanidade, deve receber a mesma proteção que Battisti, caso que realmente a Itália o quisesse extraditar, o que parece ridículo.

A Linguagem Injuriosa

Um terrorista, por definição, é uma pessoa que pratica terrorismo. É difícil que alguém que esteja fechado numa prisão durante o dia todo pratique terrorismo. Entretanto, a Folha de S. Paulo chama Battisti de terrorista desde que caiu preso. Um amigo meu mandou uma carta à Folha e, como jornal aberto e respeitoso da liberdade de imprensa, substituiu “terrorista” por “ex-terrorista” por algumas semanas. (Posteriormente, voltou a usar terrorista, que causa mais impacto).

Além disso, terrorismo é um termo definido numa comunicação das Nações Unidas que, apesar de não estar aprovada por todos os membros, tem ampla credibilidade. Mas, se os jornalistas querem usar uma definição vernácula, podem ler a ementa de Extradição de novembro de 1989 (República Argentina contra Fernando Falco; denegada), onde o relator Sepúlveda Pertence diz claramente, que uma ação violenta só pode ser chamada terrorista “se utiliza armas de perigo comum (como explosivos ou canhões) e coloca massivamente em perigo a população civil”.

Se Battisti tivesse matado essas 4 pessoas, ou ainda, 40 pessoas, uma por uma e usando uma pistola, seria um assassino, mas ainda assim não seria um terrorista.

O Critério de Autoridade

Isto é muito comum no Direito, na vida comum, e em qualquer atividade não científica. Aliás, é típico das crenças políticas fanáticas, as religiosas e as morais, que não tenham base no direito natural. Entretanto, no caso Battisti o abuso aberrante e servil do critério de autoridade chegou às alturas.

Quando o senador Suplicy, num de seus típicos atos se simplicidade, humanidade e grandeza, levou ao Senado um documento redigido pela romancista Fred Vargas, alguns dos gênios togados foram tocados pela histeria. Como era isso possível: “alguém de fora” (que não é juiz, nem mesmo advogado) vai lançar no rosto do relator todas as infâmias cometidas.

De fato, os que assim chiaram eram coerentes. A justiça não é uma coisa pública: é propriedade privada de uma sociedade secreta que decide a contramão da verdade, da lógica e do bom senso, segundo sua conveniência profissional ou... de outro tipo. Esse documento continha 13 perguntas magnificamente colocadas, com impecável referência às fontes, onde a escritora descrevia as fraudes, distorções e omissões dolosas feitas no relatório. Por sinal, a carta de Fred estava redigida num estilo educado, porém respeitoso demais para o que merecem jogadores de cartas marcadas.

Veja o link: http://cesarelivre.org/node/143

Agora, um caso geral: a aceitação de todos os linchadores de que Battisti realmente matou 4 pessoas. Isto não é apenas uma crendice da massa desinformada, mas também uma forma de legalizar uma mentira. Qual é a vantagem? É a de ter um bode expiatório. Todos os que conhecem as religiões monoteístas (a imensa maioria do país) sabem o que isso significa. É alguém para destruir, como a Geni da música de Chico Buarque.

Obviamente, a mesma lei justifica esta aberração. A pessoa pode ser extraditada sem verificar se teve o devido processo. Basta que tenham todos carimbos necessários. Hoje, é óbvio que os crimes atribuídos a Battisti não estão provados por evidências tangíveis, que não há testemunhas que não sejam falsas ou compradas, que não houve advogados e, ainda, que os autores dos quatro assassinatos estão perfeitamente identificados.

Se as pessoas que escrevem em jornais, blogs, etc., que Battisti matou quatro pessoas, afirmassem, com as mesmas provas, que João da Silva deu um cheque sem fundo, seriam imediatamente processados por calúnia.

Finalmente, um caso exacerbado de servilismo com a autoridade, que chega a negar a mesma realidade: é a refutação que o Relator do Caso Battisti faz do terrorismo de estado na Itália descrito, de maneira exageradamente tênue e light por Tarso Genro.

Qualquer pessoa informada, mesmo muito jovem (há muitos exemplos de quase adolescentes que escrevem blogs maravilhosos) sabe que entre 1969 e 1981, houve na Itália um enorme número de atentados a bomba em locais públicos, com milhares de civis mutilados, incluindo crianças e mulheres, e centenas de mortos. Quando o relator escreve isso em seu tóxico libelo, leva o assunto na brincadeira. Numa linguagem muito mais austera, como cabe ao bom juridiquês, disse coisas como estas.

“Vamos, seu Tarso. Não venha com manhas. Essa história de terrorismo fascista, sim, eu também ouvi falar, mas não houve nenhuma condena. Chega de brincadeira”.






Uso de Linguagem Hermética


O recurso ao juridiquês é um dos truques preferidos para que nada se entenda. Seu uso é tão perverso que, às vezes, nem os mesmos colegas daqueles que o usam conseguem entender se seu cúmplice diz A, ou disse não A. Em parte, isto provocou várias confusões no STF, especialmente quando o famigerado julgamento das “células tronco”.

O relatório sobre Battisti está contaminado por juridiquês de alerta vermelho, entremeado ainda por versões bilíngües de textos (sic) e outros elementos confusionais. Entretanto, prefiro citar um texto desconhecido onde se usa um termo em juridiquês que é hermético até para os leguleios mais rançosos. É sempre falando em Battisti:

“A Suprema Corte, então, rejeitou os argumentos da mavórtica defesa do extraditando e deferiu o pedido do governo italiano, fazendo o controle da legalidade necessário, fundamentando-a.”

Bialski, Interesse (mesmo link).

Você sabe o que é mavórtica? Nem eu. Procurei no Google, um buscador que traz milhões de entradas para qualquer termo, mesmo que seja em tamil ou húngaro, mas aqui só tinha 91. A maioria eram perguntas desesperadas (de quem?) pedindo ajuda sobre o significado da palavrinha. Por aí, apareceu alguém que explicou que “mavórtica” é feminino de “mavórtico”, que deriva de Marte, o Deus da Guerra. Então, no contexto de nosso erudito, a defesa dos advogados de Battisti era guerreira ou belicosa. Cuidado. Se vocês conhecem a Greenhalgh ou Barroso, que são dois advogados muito simpáticos, não os chamem de “mavórticos” sem antes explicar qual é a fonte.

Estimulando os Traumas do Leitor

Um fato muito comum na Revista Carta Capital (que foi considerada durante muito tempo, por razões que desconheço, um veículo da centro-esquerda), é atribuir a Battisti, de maneira real ou fingida, atos que impressionam negativamente ao leitor, que se sente amedrontado por ele.

Num dos maiores abismos da baixaria, um dos chefões da revista (não lembro qual de ambos) descreve um fato que não aparece em nenhum auto, e que nem a própria embaixada, com toda sua política suja, colocou em evidência: trata-se de aventuras sexuais da adolescência do escritor!
Outro caso, este muito mais grave, é estimular o medo ao terrorismo. Num operativo de incrível cinismo, uma combinação que envolvia um promotor, um alto oficial da polícia federal, e um juiz, se atribuiu a Battisti uma conexão com a Brigada Vermelha (em singular). Essa organização deve ser muito clandestina, pois ninguém ouviu falar nela, apenas da sua parente em plural. Só que as brigadas se dissolveram faz vários anos. Polícia, juiz e MP atribuem a Battisti propriedades mediúnicas, porque eles dizem que se comunica por computador com os brigadistas.

Pressionados pelo corajoso advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, um daqueles elementos reconheceu que não era nada grave, que houve uma confusão. Finalmente, outro se desculpou, e disse que levou isso a sério porque receberam denúncias da Embaixada Italiana.

Falácias Diversas

Existem falácias puramente formais (semelhantes a erros lógicos) e falácias de conteúdo. Falácia de conteúdo para gente grande, é uma que se encontra num trabalho de Carlos Veloso:

“O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Extradição 232-Cuba, [...] decidiu que “a concessão de asilo diplomático ou territorial não impede, só por si, extradição, cuja procedência é apreciada pelo STF [...]. Na Extradição 524-Paraguai, o Supremo Tribunal decidiu que “não há incompatibilidade absoluta entre o instituto do asilo político e o da extradição passiva”O que sua excelência não diz, é que a extradição 232 é quase 30 anos anterior à lei 9474, e a ext. 524, cerca de 5 anos anterior. Nessa lei, se afirma claramente (art. 33) que a concessão de refúgio elimina qualquer processo de extradição. O ministro não deve pretender, supomos, que dois casos de jurisprudência são mais fortes do que uma lei... mesmo sendo alheio ao mundo do direito, tal conclusão me parece esquisita.

Aqui, muitos poderiam pensar que o ministro demonstrou astúcia (que é uma prima afastada e encrenqueira da inteligência). Mas, não foi bem assim. Qualquer pessoa com mínimo de curiosidade poderia ler os acórdãos dessas duas extradições no arquivo do Supremo, e mandar o escrito do ilustre ministro à lata de lixo, data venia, é claro.

Erros Lógicos

Os erros lógicos são muito freqüentes, porque, como disse acima, verdade, fatos concretos e raciocínios são alheios a um mundo onde vale: convicção suspeita e retórica. Mas encontrei um erro maravilhoso. Ele teria sido ótimo em minhas épocas de professor básico para dar como exercício aos alunos da 5ª. série.

O texto é novamente de Bialski (ibid, nota 1)

“É induvidosa a mencionada exigência de controle, pelo quanto dispõe o artigo 83 da Lei 68215/80 e do artigo 207 do Re­gimento Interno da Suprema Corte Federal: ”Não se concederá extradição sem prévio pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade e a pro­cedência do pedido, observada a legislação vigente” (grifo meu)

Neste caso, não cabe ser muito severo com o jurista, porque nas faculdades de direito os professores de lógica não são matemáticos nem lingüistas, mas, em geral, outros juristas. O erro que comete o autor não é de má fé. Qualquer professor sabe que ele deve acreditar nisso, mas um aluno da 5ª. série dos dias de hoje lhe mostraria onde está a charada.

Dizer “Não se concederá extradição sem prévio pronunciamento”, tem a forma lógica “Não haverá X, sem haver Y” e, portanto significa para que haja X, deve haver Y. Ou seja, Y (prévio pronunciamento) é condição necessária para X. Porém, não é suficiente, já que então teria a forma: “Se houver Y (pronunciamento prévio) então deverá haver X (extradição)”.

Quando uma condição é necessária e suficiente, diz-se: X se e somente se Y, ou coisa que o valha. Por exemplo: “Não haverá extradição sem prévio pronunciamento”, e, reciprocamente, “se houver pronunciamento (positivo) então haverá extradição (a extradição será obrigatória)”.

A lei diz, então, que, se uma pessoa for extraditada, será necessário que sua extradição seja aprovada (autorizada, permitida, etc.) pelo STF. Mas, não diz que: “Se o STF aprova a extradição, então, esta deverá ser realizada”.

A forma lógica de ambos os enunciados, fica bem evidenciada com estes dois exemplos:
“Não se financia a compra de carro Ferrari, sem que o candidato tenha ficha criminal limpa”

Então, um criminoso não pode financiar uma Ferrari. Deve ter ficha limpa para isso. Mas, será suficiente? Certamente não. A empresa deve exigir que você tenha um salário de vários milhares de reais e, além disso, algum avalista. Ou seja, não por você ter ficha limpa, vai conseguir financiamento para uma Ferrari, se você ganhar um salário mínimo.

Este erro trivial pode deixar de DP a um garoto de 12 anos num colégio decente, mas é cometido por pessoas que têm em suas mãos a vida e a liberdade das pessoas!

Esgotamento Mental

Este procedimento consiste em saturar o leitor com um argumento repetido infinitas vezes, até que se torne um automatismo de sua mente. É um equivalente simplório e vulgar daquele ditado de Goebbels, de que qualquer mentira podia ser incutida se for suficientemente “martelada” na mente dos outros. Obviamente, não estou dizendo que os que usam estes argumentos no caso Battisti sejam do nível de Goebbels. Independentemente do mal-estar que produz a imagem do famoso nazista, devemos reconhecer que sua inteligência não era medíocre: foi uma pena que não a usasse para uma finalidade nobre.

No caso de Battisti, o argumento “esmaga cabeça” é o de sempre:

E, aí... e os boxeadores cubanos?

Aqui não preciso mencionar ninguém, porque este argumento foi usado mais de 1000 vezes, pelas figuras mais diversas: linchadores que escrevem comentários em jornais, apresentadores de TV, parlamentares do DEM, advogados de porta de cadeia, etc..

Eu também pergunto: e aí? Porque nunca foi provado, que eu saiba, que os boxeadores realmente queriam refúgio. Os que dizem que o governo não deseja desagradar a Fidel Castro estão no porão da inteligência biológica. Como explicam, então, que mais de 100 cubanos estejam refugiados no Brasil, incluindo outros atletas olímpicos? O será que Fidel só gosta de boxeadores, todos os outros podem ir embora?

Se eles pediram refúgio e foi negado, obviamente foi uma grave falência do governo e deve ser criticado por isso. Entretanto, nenhum deles, que eu saiba, estava ameaçado de morrer linchado numa cela sem luz.

Conclusão

Não sou das pessoas que odeiam seus inimigos. Pelo contrário, acho que muito de meus inimigos são meus grandes marketeiros. Saber que eles me odeiam me faz sentir que estou no caminho certo.

Tampouco tenho nada pessoal contra a direita. Um dos acusadores do sangrento tirano Pinochet, quando ficou retido em Londres, e depois liberado pela politicagem internacional, era um lord, membro do Partido Conservador. Creio que existe uma diferença conceitual definível entre direita e esquerda, mas como toda divisão de propriedades contínuas possui áreas difusas.

O que me deixa mais abismado no caso de Battisti, é o fato de não ter encontrado nem uma pessoa de certo valor humano entre seus inimigos. Há um jornalista que respeito e que é favorável a extradição, mas não parece ter nenhum ódio especial, nem faz disso sua militância. Acredito quê seja uma seqüela do confronto entre setores políticos dos anos 70.

Mas, fora disso, me deprime que todos os que eu tenho lido (deve haver outros que não conheço) são pessoas rançosas, pensamentos tacanhos e medíocres, sádicos frustrados, mentes servis e rotineiras, puxadores de saco das grandes empresas, partidos ou meios de comunicação, propagadores das mentiras mais brutas com a maior naturalidade, e órfãos de qualquer informação séria.

Poderia falar do outro lado, mas isso fica para outro momento. Além do mais nobre e honesto do Parlamento, estão de nosso lado os melhores juristas brasileiros, os quatro ministros que sustentam a honra da justiça brasileira, os jornalistas mais verazes e corajosos, as pessoas da rua que arriscam muito, porque ninguém sabe como se fará sentir a retaliação daquele mundo regido pela máfia, a igreja, o fascismo, e as organizações secretas.


Carlos Alberto Lungarzo foi professor titular da UNICAMP até aposentadoria e milita em Anistia Internacional (AI) desde há muitos anos. Fez parte de AI do México, da Argentina, e do Brasil, até que esta seção foi desativada. Atualmente é membro da seção dos Estados Unidos (AIUSA). Sua nova matrícula na Organização é o número 2152711.

Texto enviado à nossa Agência Assaz Atroz pelo autor

Ilustração: AISC - Atrocious International Smuggling of Cartoons

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