terça-feira, 17 de novembro de 2009

Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos


A liberdade de uma democracia não é segura se o povo tolera o crescimento de poder privado ao ponto de tornar-se mais forte que o próprio Estado democrático. Isto, em essência, é fascismo – o apossamento do governo por uma pessoa, por um grupo, ou qualquer poder privado de controle. (Franklin Delano Roosevelt)

Texto recebido por e-mail da Rede Castorphoto

Caros

Depois de ter iniciado o desenvolvimento de um artigo que viesse a esclarecer a todos a importancia do pano de fundo do Caso Battisti, que foi a Operação Gladio no ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial, encontrei o trabalho já feito, o que apenas me deu o trabalho de traduzi-lo à noite até ha pouco. Poderia adicionar alguns outros detalhes importantes mas o tempo nos é exíguo para que chegue às mãos dos Ministros do Supremo e às suas para que repassem de imediato a fim de fazermos uso dessa matéria importantissima.

Infelizmente os e-mails dos Ministros Gilmar Mendes (o principal) Ayres Britto, Cesar Peluso e Ricardo Lewandowski me foram passados errado. Se puderem chegar às suas mãos ficariamos muito gratos.

Abraços

Marcos Rebello
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Excelentíssimos Ministros

Já há algum tempo venho participando de debates sobre esse tema, particularmente depois que o pedido de extradição de Cesare battisti pela Itália foi submetido ao Supremo Tribunal de Justiça da nação brasileira.

Acabo de traduzir esse ensaio fartamente documentado (não só por jornais) que trata o mais suscintamente sobre a base daquilo que viemos a conhecer na realidade como a guerra fria no ocidente perpetrada por agentes do próprio estabelecimento politico e de inteligencia ocidentais contra as nossas sociedades.

Este é, portanto, o pano de fundo contra o qual V. Exs. estão julgando o Caso Battisti.

Conclui-se que pela extradição de Cesare Battisti a Itália em vez de darmos início à resolução das atrocidades cometidas pelos serviços de inteligencia ocidentais operando particularmente na Itália e no Brasil durante a decada de 70 em seu auge, estaremos falhando inequivocamente em darmos um claro sinal a esses agentes de que essas práticas não mais serão toleradas em nossos paises por serem hediondas e monstruosas transgresões aos Direitos Humanos.

É por mantermos a dignidade humana e a soberania nacional, no que concerne os nossos Direitos Humanos, que Vossas Excelências têm a obrigação de impor e preservá-los pela simples e clara interpretação do espírito das leis no julgamento desse pedido de extradição que não procede. Porque não é um homem que está sendo julgado, mas todo um sistema de terror a que todo o mundo ocidental tem sido vítima como pretexto de, por controle estatal repressivo e violento, submeter centenas de milhões de seres humanos.

Como sabemos, por já termos conhecimento de causa, não há como Cesare Battisti ser julgado imparcialmente na Itália. Ele seria mais um bode expiatório no processo de encobrir aqueles que mantém o mesmo esquema politico-institucional.

Atenciosamente

Marcos Rebello


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Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos

O “sacrifício” de Aldo Moro

por Andrew G. Marshall

Pela OTAN, trabalhando com várias agências de inteligência européias, a CIA construiu uma rede dos que foram deixados atrás “dos serviços secretos” responsáveis por dúzias de atrocidades terroristas através de Europa ocidental por décadas. Este relatório estará focado no exército deixado atrás na Italia, porque é o mais documentado. O nome de código era Operação Gladio, a “espada”.

Uma vista geral

A finalidade das tropas “deixadas atrás”


No inicio dos anos 50, os Estados Unidos começaram a treinar redes dos “deixados atrás” dos voluntários na Europa ocidental, de modo que no caso de uma invasão soviética, “recolhessem a inteligência, abrissem vias de fuga e formassem movimentos de resistência.” A CIA financiou e educou estes grupos, trabalhando mais tarde com unidades de inteligência militar européias ocidentais sob a coordenação de um comitê da OTAN. Em 1990, os investigadores italianos e belgas começaram pesquisar as ligações entre estes “deixados atrás dos exércitos” e a ocorrência do terrorismo na Europa ocidental por um período de 20 anos. [1]

“Exércitos secretos” ou grupos terroristas?

Estes que “permaneceram atrás” dos exércitos conspiraram, financiaram e frequentemente dirigiram organizações terroristas durante toda a Europa no que foi denominado uma “estratégia de tensão” com o alvo de impedir uma ascensão da esquerda na política européia ocidental. Os “exércitos secretos” da OTAN conduziram atividades subversivas e criminais em diversos países. Na Turquia em 1960, o deixados-atrás do exército, trabalhando com o exército turco, encenou golpes de estado e matou o primeiro ministro Adnan Menderes; na Argélia em 1961, o deixados-atrás do exército francês encenou um golpe com a CIA contra o governo francês de Argel, que eventualmente malogrou; em 1967, o exército grego deixado-atrás encenou um golpe e impôs uma ditadura militar; em 1971 na Turquia, após um golpe militar, o deixados-atrás do exército organizou “o terror doméstico” e matou centenas; em 1977 na Espanha, o deixados-atrás do exército realizou um massacre em Madrid; em 1980 na Turquia, o lider do deixados-atrás do exército encenou um golpe e tomou o poder; em 1985 em Bélgica, o deixados-atrás assassinou aleatoriamente pessoas nos supermercados, matando 28; na Suiça em 1990, o anterior líder do deixados-atrás escreveu ao departamento de defesa dos E.U. que revelaria “toda a verdade” e foi encontrado morto no dia seguinte com sua própria baioneta; e em 1995, a Inglaterra revelou que o MI6 e o SAS ajudaram na instalação dos deixados-atrás dos exércitos através de toda a Europa ocidental. [2]

O nascimento da operação Gladio

Uma “estratégia de tensão”

Em 1990, o primeiro ministro italiano confirmou que os “deixados-atrás” do exército, denominado “Gladio” (espada), existiu desde 1958, com a aprovação do governo italiano. No princípio dos anos 70, o apoio comunista na Italia começou a crescer, de maneira que o governo mudou para uma “estratégia da tensão” usando a rede do Gladio. Em 1972 durante uma reunião extremamente secreta do Gladio, um oficial sugeriu que se fizesse “um ataque preventivo” nos comunistas. Como o jornal britanico The Guardian reportou, as ligações entre o Gladio na Italia, todos os três serviços secretos italianos e a ala italiana da Loja Maçonica P2 eram muito bem documentados, porque o chefe de cada unidade da inteligência eram membros da Loja P2. [3]

Preparando a rede

Em 1949, a CIA ajudou a instalação da unidade de inteligência secreta italiana das forças armadas, nomeada SIFAR, provida com parte do pessoal de antigos membros da polícia secreta de Mussolini. Mais tarde o nome mudou para SID. Na final da Segunda Guerra Mundial , um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, estava prestes a ser executado por suas atividades durante a guerra, mas negociou pela vida juntando-se ao corpo de contra-informação do exército dos EUA. Nos anos 50, Gelli foi recrutado pela SIFAR. Gelli era tambem um dos líderes da Loja Maçonica P2 na Italia e, em 1969, desenvolveu laços intimos com o general Alexander Haig, que era então assistente do Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger. Através desta rede, Gelli transformou-se no principal intermediário entre a CIA e o Geral De Lorenzo, chefe da SID. [4]

Gladio cria a “tensão”

A Gladio foi envolvida nos silenciosos golpes de estado da Italia, quando o general Giovanni de Lorenzo forçou os ministros socialistas italianos a deixar o governo. [5] Em 12 de dezembro de 1969, uma bomba explode no banco agrário nacional, matando 17 pessoas e ferindo outras 88. Nessa mesma tarde, mais três bombas explodem em Roma e em Milão. A inteligência dos E.U. era informada com antecedencia sobre os atentados, mas não informava as autoridades italianas. [6] Em 2000, um antigo General do Serviço Secreto Italiano afirmou que a CIA “deu sua tácita aprovação a uma série de atentados à bomba na Italia nos anos 60 e nos anos 70.” [7] Estabeleceu-se que os atentados tinham ligações a dois neo-fascistas e a um agente do SID. [8]

Em depoimento em tribunal durante julgamento de quatro homens acusados da participação em atentados à bomba em bancos durante 1969 em Milão, o general Gianadelio Maletti, anterior líder da contra-informação militar de 1971 a 1975, indicou que sua unidade descobriu evidência de que os explosivos foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, e que a inteligência dos E.U. pode ter ajudado na transferência dos explosivos. Foi dito que ele declarou que a CIA, “seguindo as diretrizes orientadoras de seu governo, quis criar um nacionalismo italiano capaz de sustar o que foi considerado como uma guinada à esquerda e, com esta finalidade, pode ter sido empregado terrorismo de direita,” e que, “eu acredito isso foi o que tambem aconteceu em outros países. ” [9]

O Relatório

O governo italiano liberou um relatório de 300 páginas em operações da Gladio na Italia em 2000, documentando conexões com os Estados Unidos. Declararam que os E.U. eram responsáveis por inspirar uma “estratégia da tensão.” No examinar o porque aqueles que cometeram os atentados à bomba na Italia foram raramente apreendidos, o relatório disse, “aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares tinham sido organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens dentro das instituições italianas do estado e, como foi descoberto, pelos homens ligados às estruturas da inteligência dos Estados Unidos. ” [10]

As Brigadas Vermelhas

As Brigadas Vermelhas eram uma organização italiana de esquerda terrorista formada em 1970. Em 1974, os fundadores das Brigadas Vermelhas Renato Curcio e Alberto Franceschini foram apreendidos. Alberto Franceschini acusou mais tarde um membro superior das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti, de delatá-los, e que ambos Moretti e um outro membro principal das Brigadas Vermelas, Giovanni Senzani, eram espiões para os serviços secretos italiano e dos E.U. [11] Moretti subiu no poder das Brigadas Vermelhas em conseqüência da apreensão dos dois fundadores.

As Brigadas Vermelhas e a CIA

As Brigadas Bermelhas trabalharam em comum acordo com escola de línguas Hyperion em Paris, fundada por Corrado Simioni, por Duccio Berio e por Mario Moretti. Corrado Simoni havia trabalhado para o CIA na Radio Free Europe, Duccio Berio havia fornecido à SID italiana informações de grupos esquerdistas, e Mario Moretti, àparte de ser acusado pelos fundadores das Brigadas Vermelhas como sendo um agente da inteligência, igualmente aconteceu ser o arquiteto e o assassino do primeiro ministro italiano anterior, Aldo Moro. Em relatório polícial italiano a escola de línguas Hyperion foi referida como “o escritório mais importante da CIA na Europa. ” [12]

O assassinato de Aldo Moro

Moro faz inimigos poderosos


Aldo Moro, que serviu como Primeiro Ministro da Italia de 1963 até 1968 e mais tarde, de 1973 até 1976, foi sequestrado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978, quando ainda um político proeminente no partido Democrata-Cristão. Quando foi sequestrado, Moro estava em trajeto ao Parlamento para votar na inauguração de um novo governo, que ele proprio negociou, pela primeira vez desde 1947, para ser apoiado pelo Partido Comunista Italiano (PCI). A política de Moro de trabalhar de comum acordo e de trazer os comunistas ao governo foi delatada pela URSS e pelos Estados Unidos.

A ameaça de Kissinger

Moro foi mantido sequestrado por 55 dias antes de seu assassinato. O raciocínio era para que o seu plano trouxesse o partido comunista ao governo. Quatro anos antes de sua morte, em 1974, Moro estava em uma visita como Primeiro Ministro Italiano aos Estados Unidos. En sua visita encontrou-se com o Secretário de Estado dos E.U. Henry Kissinger que disse: Moro, “você deve abandonar a sua política de trazer todas as forças políticas em seu país nessa colaboração direta… ou você pagará caro por ela. ” [13]

Moro “foi sacrificado”

Steve Pieczenik, um antigo negociador de refens do Departamento de Estado e entendido gerente em crises internacionais, “afirmou que teve um papel crítico no destino de Aldo Moro.

Pieczenik disse que Moro “tinha sido sacrificado” para “a estabilidade” da Italia. Ele tinha sido enviado a Italia pelo presidente Jimmy Carter no dia do sequestro de Moro para ser parte de um comitê sobre a crise, da qual disse: “foi criada repentinamente pelo temor de que Moro revelasse segredos de estado na tentativa de se livrar.” A ação tomada pelo comitê foi a de vazar um memorando dizendo que Moro estava inoperante, e atribuir o memorando às Brigadas Vermelhas. A finalidade dessa operação era “preparar o público italiano para o pior e deixar as Brigadas Vermelhas saberem que o estado não negociaria por Moro, considerado-lhe já morto.” [14] Em um documentário no assunto, Pieczenik indica que, “A decisão foi feita na quarta semana do sequestro, quando as cartas de Moro se tornaram desesperadas e que ele estava a ponto de revelar segredos de estado,” e isso, “era uma decisão extremamente difícil, mas a pessoa que a fez no final foi o Ministro do Interior Francesco Cossiga, e, aparentemente, também o Primeiro Ministro Giulio Andreotti. ” [15]

As cartas de Moro

Entre as cartas liberadas de Moro, que as escrevia quando no cativeiro, indica que temia que uma organização secreta, com “outros serviços secretos do ocidente… pudesse estar implicada na desestabilização de nosso país.” [16] Durante sua interrogação quando no cativeiro, Moro ainda se referiu à “atividades da anti-guerrilha da OTAN.” Entretanto, as Brigadas Vermelhas não usaram esta informação, [17] talvez porque, de acordo com os fundadores das Brigadas Vermelhas, o líder da organização durante o sequestro de Moro, Mario Moretti, estava trabalhando para os serviços italiano ou de inteligência dos E.U. [18]

Jornalista independente morto pelo presidente?

Imediatamente depois da morte de Moro, o journalista italiano, Mino Pecorelli, um homem com “excelentes contatos no serviço secreto,” exprimiu sua suspeita em um artigo em 1978 no qual a morte de Moro estava ligada a Gladio, fato que não foi oficialmente reconhecido até 1990. Um ano após a morte de Moro, Pecorelli foi baleado em Roma. Disse que o sequestro de Moro foi orquestrado “por uma superpotência lúcida.” Em 2002, o sete-vezes Primeiro Ministro anterior, Giulio Andreotti, foi condenado por ter “ordenado” o assassinato de Pecorelli. [19] Pecorelli estava prestes a publicar um livro “contendo críticas prejudiciais ao [Primeiro Ministro Giulio] Andreotti pelo assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro. ” [20]

O atentado em Bolonha

Na manhã do 2 de agosto de 1980, a Italia experimentou seu pior ataque terrorista da historia na estação de trem de Bolonha, que matou 85 pessoas, e feriu mais de 200 outras. Foi feita uma longa e complicada investigação e, eventualmente, deu-se início a um julgamento. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à vida na prisão. Outros dois réus foram condenados por difamação à investigação, “Francesco Pazienza, um antigo financeiro ligado a diversos casos criminosos na Italia, e Licio Gelli, antigo grão-mestre da notória Loja Maçonica P2. ” [21] Este é o mesmo Licio Gelli que passou a ser um intermediário entre a CIA e a liderança da inteligência italiana para a rede da Gladio. Entretanto, mais tarde Gelli foi absolvido dos crimes.

Notas

[1] Bruce W. Nelan, Europe Nato's Secret Armies. Time Magazine: November 26, 1990:
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,971772,00.html

2] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[3] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[4] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[5] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[6] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[7] CBC, CIA knew, but didn't stop bombings in Italy - report. CBC News: August 5, 2000:
http://www.cbc.ca/world/story/2000/08/05/cia000805.html

[8] Peter Dale Scott, The Road to 9/11: Wealth, Empire, and the Future of America. University of California Press, 2007: page 181

[9] Philip Willan, Terrorists 'helped by CIA' to stop rise of left in Italy. The Guardian: March 26, 2001:
http://www.guardian.co.uk/world/2001/mar/26/terrorism

[10] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[11] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[12 - 13] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[14] Malcolm Moore, US envoy admits role in Aldo Moro killing. The Telegraph: March 16, 2008:
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1581425/US-envoy-admits-role-in-Aldo-Moro-killing.html

[15] Saviona Mane, A murder still fresh. Haaretz: May 9, 2008:
http://www.haaretz.com/hasen/spages/981929.html

[16] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[17] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[18] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[19] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[20] BBC News, Giulio Andreotti: Mr Italy. BBC: October 23, 1999:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/483295.stm

[21] AP, Four Get Life in Prison In Bombing in Bologna. The New York Times: July 12, 1988:
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=940DE0D61131F931A25754C0A96E948260


Andrew G. Marshall contribuiu para romper o consenso das alterações climáticas em um celebrado artigo em 2006 intitulado “Aquecimento Global Uma Mentira Conveniente”, em que desafiou os resultados que são a base do documentário de Al Gore. De acordo com Marshall, “assim que os povos começarem indicar que “o debate acabou”, tomem cuidado, porque a base fundamental de todas as ciências é que o debate nunca termina”. Andrew Marshall igualmente escreveu sobre a militarização da África Central, sobre questões de segurança nacional e sobre o processo de integração de America do Norte. É igualmente um contribuinte para o GeopoliticalMonitor.com para Centre for Research on Globalization (CRG) em Montreal e está estudando ciência política e história na Simon Fraser University, British Columbia.

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PressAA

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Conheça um pouco mais sobre a Itália que exige a extradição de Batistti



(Portugal)


INTERNACIONAL

Berlusconi insiste em negar que Mussolini foi um ditador

por

manuel carlos freire

09 Novembro 2005

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, participa hoje numa manifestação de protesto "contra todas as ditaduras" que parece eliminar o Estado fascista italiano de Benito Mussolini (1922-1943) da história do século XX.

Perante a estupefacção geral, o partido de Berlusconi, Forza Italia, excluiu Mussolini da galeria de cartazes que retratam os grandes ditadores da era actual. No âmbito da manifestação, destinada a celebrar o "aniversário da queda do Muro de Berlim", a coligação de direita no poder afixou cartazes a preto e branco com as figuras de Hitler (de quem o líder fascista italiano foi aliado durante a II Guerra Mundial), Estaline, Fidel Castro, Saddam Hussein e até Ussama ben Laden - mas não a de Il Duce (o líder), assinalaram ontem os principais jornais italianos.

"Ao olharmos para estes cartazes, a dúvida instala-se ter-se-ão esquecido de um tal Mussolini?", questionou o Unità, diário do partido comunista transalpino (DS, Democratici di Sinistra).

http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=628396

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Direitos Humanos na Itália de Hoje

Carlos Alberto Lungarzo

Anistia Internacional (USA)
MI 2152711

No relatório contra Cesare Battisti, emitido pelo relator do STF no dia 9 de setembro, o magistrado debocha da descrição que faz o Ministro da Justiça, Tarso Genro, das graves violações aos Direitos Humanos acontecidas entre 1969 e 1981, os chamados Anos de Chumbo. De fato, Genro, um político muito objetivo e rigoroso, se atém apenas aos fatos mais dramáticos da época, mas não faz um retrato completo da infinidade de abusos que existiram nesse período. O mais trágico foi a aplicação de torturas nas prisões, nas delegacias, e até nos juizados, onde os magistrados e promotores autorizavam as brutais práticas dos torturadores e aproveitavam para tirar informação que usariam contra os presos.

Mas, embora o sarcasmo contra a denúncia do Ministro da Justiça feito pelo magistrado seja totalmente absurdo, já que há mais de 3000 documentos desclassificados que provam esses fatos, poderia existir uma consolação se essas violações aos Direitos Humanos fossem coisa do passado. Mas não é assim.

Itália continua sendo o país de Europa Ocidental onde se praticam maiores violações aos Direitos Humanos, ainda hoje. Se o leitor tiver dúvidas, poderá consultar o volume de informação de Anistia Internacional redigido em 2009 sobre fatos acontecidos durante 2008, uma data muito próxima como para pensar que é “passado remoto”.

O leitor que deseje ter a certeza da fonte pode consultar, em inglês ou em espanhol, a versão de AI em seu relatório 2009:

http://report2009.amnesty.org/es/regions/europe-central-asia/italy

Aqui vou mencionar apenas alguns dos fatos principais:

Xenofobia e Racismo

A comunidade romani (cigana) sofreu perseguição, despejo, expulsão do país e tratos desumanos e denigrantes. O país não aprova uma legislação para proteger os asilados. Os tratos desumanos sofridos pelos imigrantes não foram investigados ou foram alvo de investigações incompletas.

Os membros das comunidades imigrantes, especialmente os de etnias não brancas, foram desalojados de maneira ilegal e com brutalidade, incluindo crianças e mulheres grávidas. Os prefeitos receberam poderes absolutos para perseguir os estrangeiros, aos quais não foi permitida nenhuma proteção legal.

Mesmo romanís e sintis nascidos na Itália não são reconhecidos como minoria nacional, por causa de sua diversidade racial. Grupos de fanáticos e vândalos atacaram acampamentos e favelas de imigrantes, sem que a autoridade o impeça, causando feridos e destruição de casas.

Em maio de 2008, a Comissão da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial, expressou sua alarma pela incitação ao ódio racial e contra os estrangeiros, contidas nos discursos dos políticos dos principais partidos. Em Rimini, uma mulher grávida de 6 meses foi chutada por uma gangue de vândalos, ante a indiferença dos policiais que observavam.

Os especialistas da ONU expressaram seu desespero pelas incitações ao ódio racial feitas desde o governo, incluindo ministros. Em Ponticelli, Nápoles, no dia 13 de maio, uma gangue de vândalos ateou um comboio onde viajavam ciganos, colocando 800 pessoas, incluindo crianças, em risco de morte. Durante todo o ano houve informes de incêndios provocados em Nápoles, Novara, Pisa, Roma e Veneza. Em junho, a polícia deslocou 130 imigrantes de uma favela e os colocou em outra onde não tinham água.

No dia 26 de maio, o governo declarou “estado de exceção” aplicável a minorias raciais em Lazio, Campania e Lombardia, dando poderes aos prefeitos para vigiar, controlar e reprimir essas minorias, incluindo as crianças.

O racismo feito público pelos políticos e as leis que diferenciam os direitos em relação com a raça tem estimulado os ataques raciais de particulares, que incendeiam e destroem as casas dos imigrantes, batem neles e produzem frequentes feridos.

As pessoas que procuram refúgio ou asilo são internadas em campos e passam muito tempo sem poder comunicar-se com órgãos internacionais de proteção. Estes migrantes não têm direito a advogados nem a invocar a lei em sua defesa.

No Centro de detenção de Cassabile um número não estabelecido de detentos morreram por falta de atenção médica e eventual trato desumano. Por causa da pressão de fora da Itália, foram iniciadas algumas investigações, que nunca produzem resultados.

Em fevereiro de 2009, a câmara de vereadores de Milão restringiu a inscrição de filhos de imigrantes de países pobres em escolinhas. Em 21 de maio de 2008, se emitiu um decreto que foi transformado em lei em 24 de julho, com o número de lei 125/08, se estabeleciam aumentos de penas para todos os delitos quando eram cometidos por membros de minorias raciais.

Repressão e Perseguição

Itália foi o principal cúmplice dos Estados Unidos no sequestro de estrangeiros que os americanos consideravam inimigos e no deslocamento a outros países para que pudessem ser torturados sem as restrições européias. Em 3 de dezembro foi suspendido um julgamento que tinha sido começado a contragosto do governo, em que 7 membros do serviço secreto (SISMI) seqüestraram um árabe e o enviaram a Egito para ser torturado. Em novembro, o 1º Ministro proibiu o uso de provas contra esses seqüestradores, aduzindo que isso revelaria secretos de estado.

Em 2005 se aprovou a Lei Pisanu (# 155), que não foi derrogada nem atenuada apesar das numerosas queixas de organizações humanitárias. Essa lei permite expulsar sumariamente do país pessoas qualificadas como terroristas por uma autoridade de nível médio, dispensando apuração judicial. A lei tampouco garante medidas cautelares contra o refoulement, o que tem produzido numerosas repatriações de alto risco, onde os devolvidos podem ser submetidos a prisão e tortura.

Tortura e Tratos Desumanos

A pesar das reiteradas reclamações de organizações de Direitos Humanos, a aplicação de tormentos em prisioneiros não foi incluída no código penal. Até hoje, Itália é um dos poucos países ocidentais que não possui mecanismos eficientes de controle da atividade policial. Os oficiais de imigração aplicam regularmente tratos desumanos e torturas de leve e mediana intensidade, geralmente contra adultos.

Eventualmente, quando a justiça decide investigar algum desses crimes, pode incriminar os torturados por lesões, caso existam evidências. Em outros casos, a falta de uma lei que puna os tormentos contribuem à impunidade dos autores.

Em 2008 continuou-se com o julgamento sobre a morte de Federico Aldrovandi, morto e custódio em 2005, depois de ser detido por 4 carabinieri. Espera-se que neste caso possa obter-se uma condenação por homicídio.

Aldo Bianzino morreu em 2007, logo em seguida de ser detido por policiais. A família acredita que a morte foi devida a brutalidade dos carcereiros, mas os exames sugeridos pelo promotor decidiram que a causa foi um aneurisma. Este fato parece contraditório com exames médicos imediatamente anteriores que mostravam um estado de saúde perfeito. Na data deste relatório existia uma controvérsia sobre o caso.

Em setembro de 2008, um cidadão de Gahna foi detido e espancado por policiais, acabando com uma lesão ocular. Existe uma investigação sobre o caso.

O problema mais grave da década, a repressão dos manifestantes anti-G8 em Génova, em 2001, continuava sendo processada pelos tribunais, onde se julga tanto aos policiais como aos manifestantes.

No caso de torturas e tratos desumanos na prisão de Bolzaneto, os policiais, os carcereiros e os “médicos tiras” (dos que falava o grupo de Battisti nos começos de suas ações) não puderam ser acusados formalmente de aplicação de tormentos porque essa figura, como foi dito acima, não existe na Itália.

A investigação de Anistia não pode se concentrar nos problemas internos às prisões, mas existem relatórios de outras organizações de direitos humanos sobre as formas abusivas de reclusão. Mas, este assunto exige uma matéria aparte.

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PressAA

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Garanhão

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Repórter da Globo que teve filho com FHC (há 18 anos) era qualificada para ser correspondente?

por Luiz Carlos Azenha

Há duas possibilidades.

1. Miriam Dutra pediu para sair do Brasil. E era qualificada para ser correspondente internacional.

2. Miriam Dutra não era qualificada, pediu para sair do Brasil e foi atendida.
Se a primeira resposta é a verdadeira, cabe perguntar:

1a. Quantas reportagens ela fez para o Bom Dia Brasil, o jornal Hoje, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo, no cargo de correspondente?

2a. Qual é a comparação que se faz entre o trabalho dela como correspondente e o dos outros correspondentes da emissora?

Se ela fez tantas reportagens quanto qualquer outro correspondente não há porque acreditar que houve favorecimento.

Caso contrário, houve favorecimento. Se houve favorecimento, por que?

Se a jornalista não era qualificada e ganhou o cargo, cabe perguntar: houve interferência externa à TV Globo? Quem decidiu? FHC interferiu no processo, direta ou indiretamente? Quem decidiu na Globo consultou Roberto Marinho? Ao consultar o jornalista Roberto Marinho, contou a ele tratar-se da repórter que teve um filho com FHC? O jornalista Roberto Marinho, nesse caso, esqueceu que era jornalista? O que a TV Globo recebeu em troca?

Simples assim.

http://www.viomundo.com.br/opiniao/reporter-da-globo-que-teve-filho-com-fhc-ha-18-anos-era-qualificada-para-ser-correspondente/



Brasil

Garanhão

Fernando Soares Campos
La Insignia. Brasil, fevereiro de 2006.

Indicaram-me um artigo publicado no Centro de Mídia Independente (CMI-Brasil) (1) intitulado "Fernandão, o garanhão". Aí me arrepiei! Pensei: "Pronto, descobriram que como todas! E agora?! Como vou me explicar lá em casa?!". Corri o mouse com a mão nervosa e abri a página. Para tranqüilidade geral da minha prole, que não vai ter que dividir os minguados caraminguás com os quais a mantenho com um filho adulterino que, por descuido, eu pudesse ter feito numas coxas que se me ofereceram generosamente, tratava-se de outro Fernandão garanhão: "As relações globais do nosso querido ex-presidente", abre o artigo assinado por Waldir Leite - jornalista.

Ele nos conta que em 16 e 17 de setembro (não cita o ano, mas a matéria foi postada no CMI-Brasil em 10/02/2003) realizou-se no Fórum da Cidade do Rio de Janeiro o seminário DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO, promovido pela Escola de Magistratura do Rio de Janeiro. Os participantes do evento resolveram colocar na pauta de discussão "a forma como a imprensa brasileira é [era] condescendente com o Presidente da República". E foi sob esse tema que "...um jurista citou como exemplo de conivência jornalística o romance do presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista da TV Globo Miriam Dutra". Até aí, não considerei propriamente "um exemplo de conivência jornalística"; mesmo me lembrando do caso da ex-companheira de Lula explorada pela campanha do seu adversário nas eleições de 1989, com a conivência dos mais poderosos órgãos da imprensa nacional, pois se tratava de um caso pessoal, e respeito a vida privada das pessoas.

"Muitos advogados presentes ao evento não sabiam do fato e reagiram com surpresa e indignação quando um jornalista afirmou que toda a imprensa brasileira sabe disso. E nesses oito anos de governo ninguém tocou no assunto."

Inveja desses advogados! - imaginei - Tudo morrendo de inveja do garanhão FHC.

- Deixem o comeketo em paz, rapazes! Façam como ele: vão à luta!

Continuei a leitura.

"Muito antes de ser presidente, Fernando Henrique sempre foi um conhecido garanhão da política brasileira. As mulheres sempre ficaram encantadas com o seu charme e sua pose de estadista [existe mau gosto pra tudo]. Em Brasília, o escritório de FHC também era utilizado como garçoniere, para usar uma expressão da geração dele. Era no escritório-garçoniére que o então candidato à Presidência da República mantinha encontros com uma de suas amantes, a correspondente da TV Globo em Brasília Miriam Dutra. Quando FHC cresceu nas pesquisas para presidente, a ambiciosa jornalista, pensando no seu futuro pessoal e profissional aplicou aquele velho golpe que louras oxigenadas costumam dar em pagodeiros e jogadores de futebol. Deu uma chave de b.... em FHC e engravidou. A ardilosa jornalista passou a carregar um furo de reportagem em seu próprio ventre. Um filho daquele que seria o próximo presidente da República do Brasil."

Aí a coisa realmente mudou de figura, apesar de ainda se manter, a meu ver, no âmbito pessoal... privado, para usar um termo mais ao gosto de Sua ex-Excelência.
"Ao saber que a amante estava grávida Fernando Henrique entrou em pânico. Afinal, como diria outro Fernando [não sou eu, juro!], aquilo era nitroglicerina pura. FHC tentou convencer a amante a fazer um aborto, mas ela riu da cara dele. A mulher não ia jogar fora o seu pé de meia. Sua caderneta de poupança. Foi aí que entrou em ação a operação abafa. Como ela era correspondente da Globo, imediatamente foi transferida para a Espanha, com um salário milionário, sem obrigação de fazer nada. Apenas ficar calada e quietinha, cuidando do filho bastardo do presidente."

Diz o autor que os advogados que participavam do seminário arriaram o queixo com aquela história. Ninguém entendia por que a imprensa jamais havia tratado do assunto, afinal, a história envolvia o presidente da República. Logo devem ter relacionado o caso com o de Lula na disputa com Collor, uma tremenda sacanagem que fizeram com o candidato do PT. Também devem ter-se lembrado de Bill Clinton sendo quase linchado por causa de um simples boquete da Mônica Lewinsky, enquanto aqui, nas nossas barbas, o FHC mandava uma barrigada na Miriam Dutra, jornalista da Rede Globo de Televisão, despachava a moça para a Espanha e ficava tudo na maior moita. Eu também não entendi o porquê de tanto abafa, nem como conseguiam isso. Mas existe uma teoria a respeito do silêncio.

Vejamos o que diz Kika Martins (2) a respeito do caso:

"Tomás Dutra Schmidt, filho não assumido de Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra Schmidt (a Miriam Dutra, ex-repórter do Jornal Nacional em Brasília) nasceu no dia 26 de setembro de 1991, conforme certidão de nascimento do Cartório Marcelo Ribas (Brasília - DF). Vive hoje com sua mãe e tia em um dos mais caros e sofisticados bairros da Europa, em Barcelona. Agora se vocês querem saber como isso nunca foi notícia na grande imprensa, leiam Caros Amigos - ano IV número 37 - abril de 2000. A matéria é assinada por Palmério Dória e outros. O título é: "Um fato jornalístico".

A pergunta é quanto custou este silêncio. A portaria do Ministério da Fazenda 04/1994, por exemplo, que isenta todos os meios de comunicação "e sua cadeia produtiva" da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] é só um começo de conversa. E o Proer da Mídia no final do ano 2000 custou US$ 3 bilhões ou US$ 6 bilhões, um ajuste de contrato. Agora bom mesmo é procurar no Siafi o quanto foi efetivamente gasto em propaganda no Orçamento Federal de 1994 a 2002".

Bom, acho que a conivência está, em parte, explicada. Mas que custou caro pra todos nós, isso é verdade. É por essa e por outras que a contribuição provisória (CPMF) foi reajustada no governo FHC: para cobrir isenções providenciais. Até parece que todos nós, brasileiros e brasileiras, somos pais dessa criança.

(1) http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2003/02/247327.shtml
(2) www.kikamartins.blogspot.com

http://www.lainsignia.org/2006/febrero/ibe_033.htm

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A cara de pau de Josias de Souza (e o filho de FHC)

por Luiz Carlos Azenha

O texto de Josias de Souza sobre a decisão de FHC de reconhecer o filho com a jornalista da TV Globo omite todas as questões essenciais:

1. Por que a mídia poupou FHC durante 18 anos, se o nascimento do filho era um segredo de Polichinelo?

2. Por que soubemos do filho de Renan Calheiros com uma jornalista quando a criança era bebê, mas do filho de FHC só soubemos "oficialmente" depois de 18 anos?

3. Por que soubemos da suspeita de que uma empreiteira ajudava a sustentar o filho bebê de Renan Calheiros mas nada soubemos sobre quem pagou as contas do filho de FHC durante 18 anos?

4. Quem pagou para manter o filho e a mãe do filho de FHC exilados na Europa durante 18 anos?

5. FHC comprou o silêncio da mídia?

6. A Globo recebeu vantagens para exilar mãe e filho na Europa?

7. O senador FHC exilou mãe e filho para poder concorrer à Presidência?

O texto de Josias de Souza a respeito é um exemplo acabado de jornalismo vagabundo. Ele apresenta um elenco de casos históricos, a maioria dos quais não tem qualquer similitude com o de FHC.

Ele não diz que a "aventura" de Lula foi de um homem então viúvo e que o Jornal Nacional, em 1989, colocou no ar uma reportagem com Miriam, a mãe de Lurian, acusando Lula de ter pedido que ela abortasse a filha, denúncia depois incluída também na propaganda eleitoral de Fernando Collor de Melo. Na ocasião, o jornal O Globo chegou a escrever um editorial pregando que o eleitor tinha O Direito de Saber.

Ninguém, de fato, está livre de seus "impulsos biológicos". Porém, pessoas distintas reagem de formas distintas. Alguns dão nome aos filhos, outros permitem que a criança seja registrada como de pai desconhecido (FHC), exilam mãe e filho na Europa (FHC) e contam com o acobertamento da mídia durante 18 anos (FHC).

Por que?

Segue o texto:

FHC vai reconhecer filho que teve fora do casamento

Fernando Henrique Cardoso decidiu reconhecer formalmente o filho que teve com a jornalista Mirian Dutra, da TV Globo. Deve-se a informação à repórter Mônica Bergamo. A notícia encontra-se nas páginas da Folha, edição deste domingo (15). Tomas Dutra Schmidt tem, hoje, 18 anos. Depois de consultar advogados, FHC voou, na semana passada, para Madri. É na capital espanhola que reside Miriam Dutra. Ouvido, FHC negou que tenha viajado para cuidar do papelório do filho.

Apresentou como motivo da viagem uma reunião do Clube de Madri. Procurada, Miriam resguardou-se: "Quem deve falar sobre este assunto é ele e a família dele. Não sou uma pessoa pública". A repórter e o ex-presidente tiveram um caso amoroso na década de 90. Ele era senador. Ela trabalhava na sucursal brasiliense da TV Globo. Do relacionamento resultou um filho. Nasceu em 1991. FHC e Mirian acordaram guardar segredo do episódio, mantendo-o na seara privada.

FHC era casado com Ruth Cardoso, com quem tivera outros três filhos: Luciana, Paulo Henrique e Beatriz.. Em 1992, Miriam deixou o Brasil. Virou “correspondente” da Globo em Lisboa. Antes de assentar-se em Madri, passara por Barcelona e Londres. Em 1993, convertido em ministro da Fazenda de Itamar Franco, FHC viu o sigilo sobre o filho extraconjugal converter-se num segredo de polichinelo. O nome de Thomas já corria de boca em boca nos subterrâneos da política. A despeito disso, Miriam sempre guardou zeloso silêncio.

FHC não se furtou a contribuir financeiramente para o sustento de Tomas. No curso dos dois mandatos como presidente, encontrou Tomás uma vez por ano.

Fora do Planalto, FHC passou a encontrar-se com o filho mais amiúde. No ano passado, participou da formatura de Tomas no Imperial College, em Londres. Hoje, Tomas mora nos EUA. Estuda Relações Internacionais na George Washington University. Informações de alcova sempre se imiscuíram no cotidiano da política.

Nos EUA, Clinton viu-se imerso numa crise nascida de um caso com uma ex-estagiária da Casa Branca. Antes, houve Kennedy, que se dividira entre Jacqueline e Marilyn. Houve também Roosevelt, que oscilara entre Eleanor e uma secretária. Na França, só à beira da morte Mitterrand trouxera à luz a amante Anne Pingeot, reconhecendo-lhe a filha. Entre nós, histórias de lençol são injetadas na biografia de homens públicos desde o Império.

Dom Pedro 1º impôs à imperatriz Leopoldina a marquesa de Santos, sua amante. Livro de João Pinheiro Neto menciona o amor secreto de Juscelino por Maria Lúcia Pedroso. Os diários de Getúlio Vargas falam de uma "bem-amada." Em 89, Collor trouxe para o centro da arena eleitoral Lurian, filha de uma aventura de Lula. Os petistas reclamaram da "baixaria". E logo se descobriria que Collor recusava-se, ele próprio, a emprestar o nome a um filho gerado fora do casamento.

No início de agosto de 1998, o PDT, então incorporado à coligação que dava suporte à candidatura presidencial de Lula recorrera ao mesmo expediente sujo. O partido de Brizola, vice na chapa do PT, lançara em sua página na internet artigo sobre o filho de FHC com a jornalista. Diferentemente do que ocorre nos EUA, no Brasil a conduta sexual não costuma ser levada em conta na hora da escolha de um presidente. Melhor assim, diga-se. O político, como o advogado, o jornalista, o operário ou qualquer outro, não está livre de seus impulsos biológicos.

É tolice associar a pulsão sexual ao desempenho funcional. Busca-se um presidente, não um santo. Apesar disso, os políticos brasileiros sempre hesitam em reconhecer a paternidade de filhos gerados fora do casamento. No caso de FHC, a hesitação durou quase duas décadas.

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PressAA

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Turismo em Israel é verdadeira tortura para brasileiros

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O Brasil e Israel vão firmar acordos nas áreas de cooperação jurídica, turismo, cooperação técnica e coprodução cinematográfica (Agência Brasil)

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/11/11/materia.2009-11-11.7528182708/view

Se você, que está pensando em turistar pela Terra Santa, animou-se ao ler a nota da Agência Brasil, pensou em beber água do Jordão, dar uma chegadinha no Monte Sinai e torcer para que o próprio Deus apareça e lhe entregue as tábuas com e-mail divino dos dez mandamentos; também decidiu percorrer a Via Sacra com uma cruz de isopor e até aumentou seu apetite para comer pães e peixes no melhor restaurante de Jerusalém, pois bem, antes de embarcar nessa furada, pronuncie a mesma frase que Jesus pronunciou na cruz: "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito" (Lucas 23 46). Mas não se esqueça de que estas foram as últimas palavras do Mestre.

Caso você, brasileiro, tenha um nome que evoque qualquer relação com a cultura árabe, aí, então, é melhor mudar seu roteiro, pois, se entrar em Israel, vai para um campo de concentração... quer dizer, para os Territórios Palestinos Ocupados e só sai de lá depois de torturado e jurar nunca mais voltar. Isso na melhor das hipóteses.


Não acredita? Pois leia o artigo "Acordo Brasil-Israel na área de turismo exclui brasileiros-palestinos", postado no blog Assaz Atroz

http://assazatroz.blogspot.com/2009/11/acordo-brasil-israel-na-area-de-turismo.html

Fernando Soares Campos
Editor-Assaz-Atroz-Chefe

P.S.: Antes, leia essa duas matérias publicadas em 2008, no Globo Online:

Filha de embaixador brasileiro é detida no aeroporto de Tel Aviv

18/07/2008 18:06 O Globo Online

A estudante Laila Pinto Coelho, de 25 anos, filha do embaixador brasileiro em Tel Aviv, Pedro Motta Pinto Coelho, foi detida pela imigração no aeroporto de Tel Aviv, na madrugada desta quinta-feira (17), quando desembarcava vinda de um vôo de Paris para uma visita aos pais. A imigração suspeitou do primeiro nome da jovem, achando que ela poderia ser árabe. A estudante foi levada para a sala de investigações do Ministério do Interior de Israel e começou a ser investigada, como informa Renata Malkes.

O embaixador comenta o caso em vídeo no blog da repórter, 'O outro lado da Terra Santa' . Preocupado diante da demora, ele mostrou suas credenciais diplomáticas e resolveu entrar na sala para verificar o que estava acontecendo. O embaixador e a filha ficaram no recinto por mais de duas horas. O impasse só foi resolvido com a intervenção do Ministério das Relações Exteriores. A estudante foi liberada depois de três horas.

O embaixador mandou na quinta-feira uma nota de protesto ao Ministério das Relações Exteriores de Israel e a embaixadora de Israel em Brasília, Tzipora Rimon, receberá um pedido de esclarecimentos do chefe do Departamento do Oriente Médio no Itamaraty, Sarkis Karmirian.

- É um incidente sério, pois não reconheceram minhas credenciais de embaixador. Não espero desculpas, mas espero que o Brasil e os cidadãos brasileiros sejam reconhecidos e respeitados através do representante do governo federal - afirmou o embaixador Pedro Motta.

Embaixador diz que nome da filha lembra canção hebraica

O caso ganhou destaque na imprensa israelense. Segundo a edição desta sexta-feira do jornal "Yediot Ahronot", acredita-se que a jovem tenha sido detida por causa do seu nome, Laila, que tem origem árabe. Ao apresentar o passaporte na imigração, Laila foi perguntada sobre o motivo da visita ao país. Diante da reposta de que estava aproveitando as férias para visitar os pais, despertou as suspeitas dos oficiais da imigração.

Segundo o embaixador Pedro Motta, o nome se dua filha foi escolhido justamente por uma velha canção hebraica que falava sobre Laila, que quer dizer "noite" em hebraico.

- Quando era um garoto de 13 anos ouvi uma famosa música hebraica e me encantei com o som da palavra laila. Prometi então que este seria o nome de minha filha. Não temos qualquer relação com árabes. Mas, mesmo se houvesse, por que receber um tratamento destes? - questiona o embaixador.

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/mundo/conteudo.phtml?id=788397

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Brasileira, detida há cinco anos em aeroporto de Israel, fala sobre sua experiência

Publicada em 18/07/2008 às 20h22m

Luisa Guedes - O Globo Online

RIO - A administradora de empresas Ana Lúcia Villela, hoje com 40 anos, admite que ficou feliz ao ler a história da filha do embaixador Pedro Motta Pinto Coelho, que foi detida no aeroporto de Tel Aviv, quando chegava a Israel de Paris -. Há cinco anos, era Ana que estava detida no aeroporto de Tel Aviv, quando voltava para o Brasil depois de visitar um amigo em Israel. Ao invés de duas horas, perdeu quatro, sozinha, em uma sala vazia, sem suas malas nem seu passaporte, e proibida de entrar em contato com a embaixada brasileira.

Depois de passar uma semana em Israel, viajando com amigos brasileiros, ela comprou um pacote de cinco dias de viagem à Turquia. Antes de voltar ao Brasil, passou novamente por Tel Aviv, onde embarcaria para Amsterdam, e de lá para o Rio. Enquanto esperava pelo vôo, Ana diz ter tido a sensação de ser observada por soldados que circulavam pelo aeroporto. Ela acredita que os casacos que usava para se proteger do frio fizeram os oficiais pensarem que era uma mulher-bomba.

" Fui muito ingênua. Acho que só eu sabia que não era uma terrorista. Pouco antes de fazer o check-in, entrei num bar e todas as pessoas saíram "
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.- Fui muito ingênua. Acho que só eu sabia que não era uma terrorista. Pouco antes de fazer o check-in, entrei num bar e todas as pessoas saíram - lembra ela, que nunca havia falado publicamente sobre o caso. - Acho bom que, agora, isso tenha acontecido com uma autoridade porque quem sabe assim tomam uma atitude.


Os problemas começaram, de fato, quando a brasileira se apresentou ao guichê da companhia aérea. Ela lembra que foi interrogada por uma soldado, que não parecia ter mais de 18 anos. Depois de responder a algumas perguntas que considerou normais, a turista foi acompanhada por cinco oficiais até uma sala dentro do aeroporto onde não havia qualquer objeto.

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- Eles perguntaram tudo sobre a minha vida. O que eu tinha ido fazer lá, como eu tinha conseguido dinheiro, com quem eu morava. Também reviraram minha mala e pediram para eu tirar uma foto do chão com a minha câmera. Acho que eles tinham medo que ela explodisse - contou Ana, lembrando que os soldados tentaram falar espanhol com ela, que preferiu o inglês. - Senti-me completamente desamparada e vulnerável.


A brasileira diz que na primeira entrada em Israel, pouco mais de 10 dias antes, foi interrogada por oficiais, mas considerou as perguntas normais. Na volta da Turquia, entretanto, foi tratada o tempo todo com grosseria.


- Depois de tudo, disse que eu era brasileira e meu país era pacífico, não queria problema com ninguém. Nesse momento, a soldado me respondeu: 'ninguém disse a você que nós não somos um país pacífico?'. Acho que fui até ingênua, porque hoje eu teria medo de morrer - disse a administradora.


Ana conta que naquele momento jurou que não voltaria a Israel. Nos dias em que passou em Israel, a brasileira, que é católica, disse que viu "nada de santo" ao conhecer a chamada Terra Santa. Embora tenha sido bem tratada nas cidades por onde passou em Israel, ela conta que sentiu um clima permanente de tensão.

- Estou cansada de tudo isso. Vivemos com medo aqui, mas lá é tudo pior. Na verdade, se não fosse essas complicações acho que até voltaria.


Quando foi autorizada a deixar a sala onde ficou detida por cerca de quatro horas no aeroporto de Tel Aviv, ela recebeu suas malas reviradas, embora não tenha dado falta de nada.

" Depois de tudo, eles ainda estavam com a cara mais cínica. Não pediram desculpas e foram muito arrogantes "
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- Depois de tudo, eles ainda estavam com a cara mais cínica. Não pediram desculpas e foram muito arrogantes. Se tivessem me contado história toda que a gente conhece, sobre os terroristas, e as vítimas, eu daria uma amolecida. Mas foi tudo muito ruim - disse Ana, que, depois de ter seu passaporte retirado pelos oficiais, pediu para telefonar à embaixada brasileira, mas não foi autorizada. - Não permitir que um cidadão estrangeiro tenha contato com sua embaixada é coisa para não voltar ao país.


Ao chegar em Amsterdam, na Holanda, para finalmente pegar o vôo de volta ao Rio, ela diz que sentiu como se estivesse em casa, diante da maneira como foi recebida. Como o avião tinha chegada à cidade com atraso ("provavelmente por minha causa"), a brasileira ainda teve que fazer escala em Milão, na Itália, antes de pousar no Rio, 12 horas depois do que previa inicialmente.


Já no Brasil, Ana diz que se sentiu injustiçada ao ver cidadãos israelenses entrando no país sem ter que qualquer responder a qualquer pergunta.

- Quando encontrei com os pais do meu amigo que me recebeu em Israel, eles, que são judeus, tentaram justificar, dizendo que lá matam muitos judeus. Mas eu sou brasileira.

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/07/18/brasileira_detida_ha_cinco_anos_em_aeroporto_de_israel_fala_sobre_sua_experiencia-547315837.asp


Agora, leia a postagem no blog deste Editor-Assaz-Atroz-Chefe.

http://assazatroz.blogspot.com/2009/11/acordo-brasil-israel-na-area-de-turismo.html
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PressAA

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Dançarinas fazem justiça à imagem do Brasil na Itália

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QUAL A CARA DO STF? A DE DANTAS? DE BERLUSCONI? AS INSTITUIÇÕES FALIDAS

Laerte Braga

A sensação que ficou ao término do voto do ministro Marco Aurélio Melo no caso Cesare Battisti é a que os outros ministros, os que votaram favoravelmente à imposição do governo italiano, estavam escondidos embaixo de suas mesas, ou bancadas, já que triturados em seus argumentos.

Mas não. Logo o ministro italiano Cezar Peluzo se pôs a justificar o injustificável, a submissão e acima de tudo, a falta de dignidade para o exercício do cargo. A tal de reputação ilibada.

A propósito das declarações de um deputado ou senador italiano que o Brasil não é “propriamente famoso por seus juristas, mas por suas dançarinas”, trazidas à lide pelo ministro Marco Aurélio Melo, não há dúvidas que se aplica a pelo menos cinco ministros do que chamam suprema corte.

Mentiu em seu noticiário a Tevê Justiça a partir do momento que expôs a contenda como sendo “governo italiano versus Cesare Battisti”. É governo italiano contra governo brasileiro, contra Brasil. E a mentira foi deliberada. Quem manda ali é Gilmar Mendes e o embaixador da Itália tem acesso ao seu gabinete pela porta dos fundos, com os fundos que se fizerem necessário para uma vergonhosa e lastimável decisão que aparece no horizonte da mais despudorada e desavergonhada submissão.

O ato que estava e está em julgamento é da lavra do ministro da Justiça e não de Cesare Battisti. Foi Tarso Genro quem concedeu obedecendo a lei e a constituição a condição de refugiado político a Cesare.

O voto do ministro Marco Aurélio, independente de todos os votos equivocados que possa ter proferido ao longo de sua carreira (habeas corpus de Cacciola, absolvição do latifundiário que pagou por sexo com menina de doze anos), mais que o redime, mostra o mínimo (foi brilhante e fulminante o voto) de respeito por si e pelo seu País.

Os que votaram pela extradição sequer sabem o que significa respeito. Não conhecem a palavra, a expressão, ou o seu sentido.

Quando o italiano Cezar Peluzo disse – após o voto de Marco Aurélio – que não se justificava o argumento de crime político levantado pela defesa de Battisti e por Marco Aurélio Melo, pois a Itália, à época, era um estado de direito, mostrou que precisa voltar ao antigo ginasial e estudar História.

Jogou na lata do lixo todo um processo político vivido em todos os países da Europa e a Itália não foi exceção.

E daí? O Brasil em tese é um estado de direito. Onde, se o presidente daquilo que chamam suprema corte é corrupto e venal como Gilmar Mendes?

Pensar que já ocuparam aquelas cadeiras figuras do porte de Ribeiro da Costa, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Vitor Nunes Leal, Adauto Lúcio Cardoso, Bilac Pinto, putz! O Brasil merece respeito e não merece esse tipo de gente.

A presença descarada o ofensiva, ostensiva, intervindo e reagindo e interagindo com as palavras do ministro Marco Aurélio Melo do embaixador da Itália, nem isso, para resgatar o mínimo de dignidade nos cinco que votaram pela extradição.

A reação e o interagir era de desagrado. O embaixador do duce Berlusconi, senhor dos prostíbulos italianos, deitou e rolou numa corte à qual impôs a sua bota a cinco supostos ministros “brasileiros”.

Isso por si só fulmina o argumento de estado de direito do ministro (putz! Que esculhambação!) Peluzo.

Daniel Dantas está solto e o delegado Protógenes Queiroz ameaçado de demissão por ter cumprido a lei.

Em determinados espaços o Brasil continua a ser uma república de bananas, controlada por marginais arvorados em presidente e ministros da tal corte suprema e sob a batuta da mídia podre e também venal, caso explícito das principais redes de tevê, a GLOBO à frente.

Gilmar Mendes não está e nunca esteve preocupado com a lei, com reputação ilibada (não tem), com notório saber jurídico (não tem a menor noção do que seja isso, só conhece o direito que entra pela porta dos fundos), em momento algum Cesare Battisti lhe diz respeito, exceto pelo fato de poder ali exercer seu poder de coronel travestido de ministro a favor do que há de mais repulsivo neste País, o mundo tucano/DEMocrata.

Foi indicado, debaixo de protestos, para o STF com a finalidade de tomar conta e evitar que toda a bandalheira entreguista do governo FHC, do qual fez parte, onde enriqueceu, saísse debaixo do tapete.

Adiou seu voto por uma razão simples. Não sabe como fazê-lo. Não tem a menor noção. Vai pegar com o embaixador da Itália e o advogado contratado para defender o governo de Berlusconi o papel com o voto e ler.

Pura farsa. Toda aquela pretensa solenidade, toda aquela parafernália de vossa excelência para lá, vossa excelência para cá, um absoluto estado de amoralidade exposto em suas vísceras pelo voto decente, corajoso e correto, brilhante do ministro Marco Aurélio Melo.

Mas como bandidos não se importam de serem chamados de prostitutas, o problema não é deles não.

É nosso. Suportar essa corja?

Pelo amor de Deus, a zona é coisa séria, muito séria, gente padrão Peluzo não entra lá nem amarrado.

Gilmar Mendes não passa nem perto.

Há um desafio posto a Lula. Não pode aceitar a decisão do STF em flagrante desrespeito à constituição, a decisões anteriores em casos semelhantes e precisa mostrar aos brasileiros toda essa sujeira montada em torno de um caso simples, o de concessão de refúgio a um cidadão perseguido em seu país, a Itália, por um governo fascista por motivos políticos.

Se ceder é pegar o boné e ir embora. Perde o respeito por si e deixa de ser presidente do Brasil para cair de quatro, como os ministros que votaram pela extradição, diante de um pedido que ofende à soberania nacional e trata o Brasil como se fôssemos um bando de bárbaros e irresponsáveis, sem o menor vestígio de dignidade.

Não é hora de negociar coisa alguma. Em determinados momentos ou se pega o touro a unha, ou sai com o chifre encimando a honra nacional.

O que está prestes a acontecer é a pior forma de apagão. O da dignidade de um povo ultrajado pelo que chamam de suprema corte. Cinco ministros e seu presidente.

O jornalista Laerte Braga colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

PressAA

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domingo, 8 de novembro de 2009

Coronelismo no Sertão de Alagoas é o mesmo dos tempos de Lampião


Uma administração coronelista, como nos velhos tempos

O que mudou em Santana nos últimos 70 anos?

Santana do Ipanema (AL) vive um dos piores momentos da história de sua administração. Instalou-se neste município uma das mais nefastas ditaduras coronelistas, como nos velhos tempos. Membros de uma única família, usando o poder da compra de consciências, apossaram-se da administração municipal e fizeram o município retroceder nos âmbitos político e social, revelando, hoje, características só identificadas nos mais atrasados núcleos interioranos de séculos passados.

No âmbito político, conseguiram acabar com qualquer arremedo de oposição, obrigando os cordeiros a se desfazer até mesmo da fantasia de lobo que às vezes usavam.

Em relação ao atendimento social às camadas da população mais necessitadas, pode-se dizer que, em Santana do Ipanema, ocorre um dos mais cruéis massacres e desprezo pelo povo. Para comprovar isso, basta que se faça uma visita ao hospital público ou a uma das escolas municipais, ou mesmo à única creche mantida pela administração do município.

Contando com elementos subservientes, dispostos e executar os trabalhos mais sujos a troco de privilégios menores, a tal família exerce influências até mesmo no seio de muitas famílias, ao ponto de desagregá-las, criando desavenças entre irmãos, pais e filhos, parentes e amigos.

Se um membro de uma família santanense se dispuser a militar na política fazendo oposição aos coronelistas aboletados no poder municipal, ou aos seus tentáculos na Assembléia Legislativa, logo algum membro daquela família será cooptado através de nomeação a insignificantes cargos públicos, transformando-se em um de seus cabos eleitorais e bajulador, condição obrigatória para que assuma o tal cargo.

No caso de irregularidades administrativas ou desvio de conduta dos titulares do poder, a família conta com aquilo que se pode chamar de boi de piranha, que são elementos jogados na arena para serem devorados pelas feras sedentas de “justiça”. E não faltam indivíduos dispostos a se sacrificar por qualquer trocado que garanta a sua subsistência.

Seria até risível falar em “imprensa santanense”. O que se pratica aqui é o aluguel dos meios de comunicação ao poder público municipal. Não se ouve uma só voz que deles discorde, menos ainda que trate das denúncias que por acaso cheguem ao Poder Judiciário, tratando de supostos atos ilegais praticados pela atual administração do nosso município. Pelo contrário! Quando tratam de assuntos dessa natureza, o fazem defendendo-a, colocando em dúvida as acusações e tentando desqualificar o denunciante.

A rádio comunitária Boa Nova, que funcionou no bairro Lajedo Grande há poucos anos, tentou fazer um trabalho de verdadeiras denúncias contra os desmandos dessa gente que se sente hoje dona do município. Mas não demorou muito para que, agindo na surdina, o coronelismo dos novos tempos usasse seu poder, como nos velhos tempos, para fechar a emissora. E não precisaram aparecer como mandantes da arbitrariedade, pois, como já foi dito, eles contam com uma jagunçada a seu serviço.

Naquela oportunidade usaram um radialista para denunciar as atividades da rádio. Logo apareceu um juiz que ordenou que policiais fechassem e confiscassem todo o equipamento da emissora, alegando que ali não se poderia tratar de assuntos políticos. O próprio juiz também nos disse que certo radialista teria denunciado a rádio, informando que ela estaria funcionando ilegalmente. Isso mesmo, não estou exagerando, foi exatamente isso que moveu a ação judicial: abordagem de temas políticos nos programas da emissora e instalação clandestina. Evidentemente que esta segunda parte da acusação foi apenas complementar, o que motivou mesmo o fechamento da emissora foi a atividade política, como se esta caracterizasse transgressão às leis.

Na última eleição para prefeito, dois vereadores foram vitimas da fúria da família ditatorial de Santana: Adenilso Oliveira, por se negar a participar de aliança com eles, viu sua reeleição ir por água abaixo, depois que um pau-mandado deu entrada na Justiça Eleitoral pedindo a anulação de sua candidatura, alegando atraso na documentação. O outro foi Afonso Gaia, desafeto declarado dessa poderosa família. Afonso passou os quatro anos de seu mandato denunciando os desmandos dessa administração, tais como: emissão de cheque sem-fundo, nepotismo, perseguição, contratações ilegais, entre outros. Mas a esperada vingança não tardou. Manobraram a politicagem a partir da capital e o vereador Afonso Gaia foi “obrigado” a fazer parte de um “chapão”, conhecido como “chapão da morte”, ficando impedido de apoiar publicamente outro candidato. A Câmara perdeu Adenilso e Afonso, as raras forças de oposição a tal família aquartelada no poder municipal.

Tivemos casos de sindicalistas que aparentemente os perdemos para esse poder coronelista. Digo aparentemente porque na verdade não perdemos nada, pois se tratava de elementos que, quando faziam arremedos de luta contra os poderosos e pareciam engajados na luta por melhores salários e condições de trabalho, estavam apenas chantageando, colocando à venda suas consciências, ou melhor, inconsciências. Foram aliciados por algumas moedas e cargos menores. Mas eles não sofreram apenas o nosso desprezo, pois aquele próprio que se tornou senhor de suas vontades, expressou toda sua arrogância afirmando que eles teriam lhe custado “muito barato”. Ora, qualquer que tenha sido o preço, custaram muito caro, pois sujeitos dessa espécie não valem um centavo furado. Além disso, foram pagos com dinheiro público, com o nosso dinheiro.

O atual vice-prefeito já foi também um suposto adversário que incomodava a família poderosa. Porém esse teve “melhor” sorte. Depois de fazer graves denúncias, que, se levadas a sério, causariam até a perda do mandato da prefeita, transformou-se, da noite para o dia, e o “adversário político” tornou-se um servil aliado. São coisas que fazem a gente ficar especulando sobre os verdadeiros motivos que levaram o camarada a se juntar com aqueles a quem ele havia denunciado, chegando mesmo a esbravejar contra eles.

Esse mesmo vice-prefeito, quando do seu mandato de vereador, foi autor da Lei de Gestão Democrática, lei que determina que os diretores de escolas municipais sejam escolhidos por voto direto dos funcionários das escolas, alunos e pais de alunos. Até hoje a dita lei nunca foi cumprida, como também nunca foi cobrado ao Ministério Público sua execução.

Outra lei que também foi descumprida até a semana passada, quando o MP acatou uma denúncia e afastou a filha da prefeita de um cargo público, foi a lei municipal contra do nepotismo, uma regulamentação baseada na lei federal e criada pelo vereador Afonso Gaia há pelo menos três anos. Mesmo com este afastamento, ainda se encontram exercendo assessorias: um irmão da prefeita; uma cunhada; dois genros e um cunhado.

Alguns dirão: “Sérgio escreveu magoado, despeitado, com inveja. Isso é o choro de um derrotado!”.

A esses respondo: Quem me conhece sabe que desde muito jovem luto em favor da dignidade no trato com a coisa pública. O tom com que estou tratando esses assuntos aqui é o mesmo que uso desde minha adolescência, quando tive meus primeiros lampejos de consciência político-ideológica. E tudo se fundamenta na educação familiar que recebi.

Sérgio Campos é funcionário público estadual (AL), vice-presidente do Diretório Regional do PCB em Santana do Ipanema

BLOG DO SÉRGIO CAMPOS

http://sergioscampos.blogspot.com/2009/11/uma-administracao-coronelista-como-nos.html

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A AMÉRICA QUE NÃO ESTÁ NA MÍDIA - Livro de Mário Augusto Jakobskind

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A AMÉRICA QUE NÃO ESTÁ NA MÍDIA

Mário Augusto Jakobskind

Editora Altadena

Prefácio

Flávio Tavares

Ao longo de anos e anos, o Brasil esteve de costas para a América Latina. Desconhecíamosos países vizinhos de língua espanhola, mesmo tendo os mesmos problemas, idênticos anseios e quase o mesmo idioma. Sabíamos que tínhamos até o mesmo inimigo, e que ele estava ao norte, poderoso e mandão, mas entre nós mesmos seguíamos distantes.

Mário Augusto Jakobskind, com este livro, volta a nos integrar ao continente. Já o relato inicial leva a indagar sobre as origens do terror espalhado pela direita na América Latina.

Em minhas andanças de exilado político, eu vivia na Argentina naquele 1976, quando um golpe militar lá implantou o terrorismo de Estado. Morava em Buenos Aires, era correspondente dos jornais “Excelsior”, do México e de “O Estado de S.Paulo”, mas só fui saber da “Noite dos Lápis”, muito tempo depois. O horror se escondia nas profundezas dos segredos e do medo da população.

São essas histórias ocultas que Mário Augusto conta agora, interpretando o passado recente não apenas para conhecê-lo, mas - mais do que tudo - para nos lembrar daquilo que não pode repetir-se jamais.

Mais do que isso, porém, este livro mostra o progressivo empobrecimento dos meios de comunicação entre nós. Informar passou a ser tratado como uma dessas quinquilharias que o capitalismo predatório da sociedade de consumo nos oferece a cada dia como se fosse o paraíso. O essencial está de fora na grande imprensa, no rádio e na televisão.

O assédio da ilusão e, até, da mentira nos empanturra de tolices. Os grandes meios de comunicação nos transformam em robôs obedientes.

A imprensa, a TV aberta e o rádio viraram atividades comerciais, em busca de lucros. Até o golpe militar de 1964, o jornal “Última Hora”, mesmo privado, representava no Brasil uma opção popular e nacionalista, na vanguarda da denúncia da ação imperialista dos Estados Unidos. Hoje, qual é o órgão da grande imprensa que se atreve a ser tão independente?

Nenhum canal de TV aberta ou de rádio foi concedido pelo Estado a jornalistas aglutinados em associações ou sindicatos do setor. Enquanto persistir essa situação, persistirá também o estrabismo dos meios de comunicação.

Mário Augusto tenta, neste livro, corrigir essa ilusão ótica.


Use o link para conferir preço e fazer o pedido pela internet

http://www.municipionline.com.br/americanamidia/index.htm

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